Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 13 de maio de 2012

OLHAR

Olha-me nos olhos, amor,
mas não para me olhar.
Quero que me olhes, mas para me ver.
Fá-lo da forma pausada
e do mesmo jeito aberto
com que me despes,
peça por peça,
beijando enlevado
cada espaço do meu corpo
que vai ficando a descoberto.
 
Depois
fecha as minhas mãos nas tuas
e leva-me para o teu mundo
onde o tempo não existe,
o sol confunde o poente com a aurora,
as estrelas não param de brilhar
e de onde nunca ninguém regressa…

Olha-me nos olhos, amor,
assim,
para me veres.

Hoje.
Agora.
Não amanhã.

Quando o teu olhar me beija assim plenamente
sei que já estás pronto e ambos temos pressa.

SS

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