Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

PERDI O HÁBITO DE TI

Perdi o hábito de ti. A ausência Preencheu o teu lugar Com inseguranças Incertezas E saudades. Já não sei a cor do teu olhar E silenciei a memória Da tua voz. Por isso Vivo em confusão No meio das gentes E não te encontro Porque não sei procurar-te. Busca-me tu Para que não te perca. Tira-me desta sombra Em que me fecho. Não deixes que me leve O esquecimento. SS

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Dá-me a tua mão E ensina-me o teu olhar. Quero ver as coisas Claras como tu. Mostra-me o céu Do teu imaginário E o mar em que navegas Quando repousas Nesse teu silêncio Tão profundo Que apenas tu sentes Mas não sabes explicar. Dá-me a tua mão E leva-me contigo Num voo de gaivotas Ou num rasto de corça, Se preferires, Mas não me deixes só. Perderia as referências Do meu sentir E esqueceria A capacidade de amar. Tornar-me-ia Uma árvore seca Levada pela corrente Que nunca encontraria a foz. Estende a tua mão, Assim De mansinho E guia o meu caminhar… SS

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Não me falas E o teu silêncio Escorre pela minha pele como gotas de suor. Invento causas Procuro razões E nada encontro. Talvez que as tuas palavras Se tenham perdido com a distância do tempo e do lugar e por isso não me encontrem. SS