Estranha forma esta do meu ser
que me faz sentir sozinha entre a gente.
Prefiro o sossego do meu canto
à exposição dos que me rodeiam.
Alguns confundem isso com vergonha
outros chamam-lhe presunção.
Tímida eu? Não me conhecem certamente
Snob?
Poderei ser tudo mas isso não.
Dizem que esta recolha
é uma fuga.
Talvez seja assim,
mas se é que fujo de alguém
será somente de mim.
SS
Uma irreverência entre a memória e a saudade
Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...
quinta-feira, 31 de maio de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
CANTO DE PÁSSARO
Quando as tuas palavras me chegaram
sentia-as como um canto de namoro
de pássaro procurando fêmea.
Não soavam exactamente a um
trinado
mas havia mel na tua voz
e nas palavras escritas.
Mostraste-me um caminho
e eu segui-te
primeiro de modo hesitante,
como se seguem todas as dúvidas,
depois, porque gostei do passeio
e da melodia que me dedicaste,
decidi ir adiante.
Hoje,
entendo quanto me querias dizer
no primeiro dia em
que te ouvi
e, se bem que presa em gaiola
que o é, mesmo sem grades,
sempre que de longe
me chega o teu cantar
e posso fugir
largo tudo, bato asas
e voo para ti.
SS
terça-feira, 29 de maio de 2012
SONHAR CONTIGO
Sonhar contigo
é supor o infinito
como uma superfície intangível
que deve ser azul
pois tudo quanto não entendo
ou está para além dos meus limites
é dessa cor.
Talvez por isso quando sonho contigo
nunca vejo a tua imagem
mas apenas um azul
do tom de que julgo ser feita a ternura
que se derrama como um bálsamo de paz sobre o meu leito
onde me refugio de um quotidiano quase sempre cinza.
Será isto o sentimento a que os poetas usam chamar Amor?
SS
é supor o infinito
como uma superfície intangível
que deve ser azul
pois tudo quanto não entendo
ou está para além dos meus limites
é dessa cor.
Talvez por isso quando sonho contigo
nunca vejo a tua imagem
mas apenas um azul
do tom de que julgo ser feita a ternura
que se derrama como um bálsamo de paz sobre o meu leito
onde me refugio de um quotidiano quase sempre cinza.
Será isto o sentimento a que os poetas usam chamar Amor?
SS
segunda-feira, 28 de maio de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
PALAVRAS
Incomodam-me as palavras vazias
os silêncios ocos
o não dizer nada.
Lembram partituras sem notas
livros sem letras
aves sem canto
ondas sem mar.
Para eu ser eu
preciso de ouvir o som
e de possuir as palavras
com que escrevo
com que falo
com que conjugo
de mais de mil maneiras
o verbo amar.
SS
sexta-feira, 25 de maio de 2012
TEMPO
Atrasamo-nos os dois.
O nosso encontro,
tão inesperado,surgiu num tempo
que já não é tempo
de ser uma vida.
Que pena!
Resta-nos apenas uma fatia
escassa, mas madura,
para saborearmos
este tempo nosso
enquanto dura.
SS
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