Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 26 de fevereiro de 2012

SÁBADO


Definitivamente
não gosto do domingo.
Coisa de infância, talvez,
quando me impunham roupa impecável
para aparecer na missa e comungar, na minha vez,
perdida numa fila interminável.
E como o diziam dia santo
brincar era um desrespeito fatal:
não havia jogos nem encontros com amigos
fosse na rua ou no quintal.

Ficou-me até hoje esse desagrado.
Por isso acho o sábado um dia mais animado:
Posso fazer o que me apetece:
passear, ler, namorar,
descansar ou portar-me mal…
Sábado, sem a missa e sem trabalho,
é como se fosse  a “terra de ninguém.
Por isso hoje não me vejam, nem me perturbem
e muito menos insinuem
que o que eu fizer neste dia é um pecado.

SS

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