Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 22 de maio de 2011

PALAVRAS

Unem-nos as palavras

Com que desfiamos

O que reprimimos


Quando o silêncio
Ditado pela ausência
Se interpõe entre nós.
Nunca estabelecemos um assunto para elas.
Deixamo-las vaguear à nossa volta
Numa estranha teia de frases soltas,
De perguntas e respostas
Que discutimos
E que vamos guardando
Numa caixa virtual
Que abrimos com rumor
E numa pressa fatal
Sempre que o mote proposto
É o amor.

SS

sábado, 21 de maio de 2011


Que país é este
Que não conserta
Os erros do seu parto prematuro?
Que país é este que arremessa
Os seus filhos
À dúvida e ao escuro?

Não aprendeu a governar-se este país!

Depois de nascer soube crescer
Descobriu o longe
Mas esqueceu o perto.
E o mar que o beija
E o embalou
Assiste impotente à sua morte lenta
Vendo-o perder-se pouco a pouco
Sem conseguir lutar contra a tormenta.

Desperta Portugal!
É a hora de lutar
Contra os que te querem destruir
Por desgoverno ou por ambição.
De Norte a Sul
Sejamos capazes de juntar vontades
E a todos que nos querem dominar
Dizer a uma voz
Um imenso NÃO.

GM

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Olha-me
Bem devagarinho
Como se quisesses
Guardar-me dentro de ti.

Toca-me
Suavemente
Como se eu fosse o papel
Onde escreves as tuas memórias.

Assim
Quando eu voltar
Serei a parte do teu corpo
De que sentiste falta enquanto estive ausente.

SS

segunda-feira, 16 de maio de 2011

EXPLICAÇÕES PARA O AMOR

O amor tem muitas explicações
E muitas formas.
Para te amar
Não preciso que estejas aqui
Basta-me saber que conto para ti
Como uma peça fundamental
No teu quotidiano.

Se estou perto
Sinto-me como se fosse
O teu outro eu
Porque tudo de quanto falamos
Representa tudo quanto partilhamos.

Para nós falar
É um modo especial de amar

SS

segunda-feira, 9 de maio de 2011

TEMPOS PERDIDOS

Nunca me tentaste beijar Na última fila de uma sala de cinema. Talvez porque nunca fomos juntos ao cinema. Nem me esperaste à porta da Liceu Não por medo da reitora Mas porque vivias noutro lado do país. Pela mesma razão Nunca nos encontramos em bailes de garagem Onde nos embalávamos entre o blues e os rocks. Vivemos o pesadelo da guerra Sentindo saudades por outras pessoas Que não um do outro. Até nem nos conhecíamos…. Destas memórias desfiadas em espaços repartidos Como lamento os nossos tempos perdidos SS

sábado, 7 de maio de 2011

CAÇA

Pensei em ligar-te Mas não o fiz (confesso que a contragosto). Às vezes sinto-me Uma espécie de ave predadora Que persegue a caça Sem desistir. Mas nem tu és animal Nem eu águia ou açor. Quando teimo em te seguir É mesmo só por amor. SS