Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


segunda-feira, 9 de maio de 2011

TEMPOS PERDIDOS

Nunca me tentaste beijar Na última fila de uma sala de cinema. Talvez porque nunca fomos juntos ao cinema. Nem me esperaste à porta da Liceu Não por medo da reitora Mas porque vivias noutro lado do país. Pela mesma razão Nunca nos encontramos em bailes de garagem Onde nos embalávamos entre o blues e os rocks. Vivemos o pesadelo da guerra Sentindo saudades por outras pessoas Que não um do outro. Até nem nos conhecíamos…. Destas memórias desfiadas em espaços repartidos Como lamento os nossos tempos perdidos SS

sábado, 7 de maio de 2011

CAÇA

Pensei em ligar-te Mas não o fiz (confesso que a contragosto). Às vezes sinto-me Uma espécie de ave predadora Que persegue a caça Sem desistir. Mas nem tu és animal Nem eu águia ou açor. Quando teimo em te seguir É mesmo só por amor. SS

sexta-feira, 6 de maio de 2011

NÓS

Vamos falar de nós De tudo que nos apetece Mesmo não sendo importante. Dizermos que o dia está lindo Nem que troveje. Que a lua brilha mais Mesmo sendo nova. Que tua camisa é linda E condiz com o que visto. Ainda que isto seja mentira Sabe bem. Deitemos para trás o que não interessa Nem nos derrubemos com a angústia Ou com momentos de pavor. Passemos por cima do que nos agride E vamos esquecer o mundo, meu amor SS

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Pessoalmente eu sou um perigo: Se digo o que penso Sou criticada. Se me calo Passo por amuada. Por isso para quê falar? É muito melhor guardar O que de mais íntimo sinto. SS

terça-feira, 3 de maio de 2011

Voltou o sol! Não sei se é para ficar Ou se vai partir novamente. Esta primavera maluca A cada dia que passa nos mente. IM

domingo, 1 de maio de 2011

SONHO

Por momentos Adormeci no sofá Lendo um livro sem interesse. Talvez por isso mesmo tivesse adormecido. Um raio de sol Acordou-me de um modo divertido Traçando arabescos no meu nariz Mas cortando o filme do meu sonho Em que o príncipe beijava a plebeia. Que pena! Assim nunca saberei Se o seu desfecho iria ou não ser feliz. SS