Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


terça-feira, 24 de maio de 2011

AZUL

Perde-se o meu olhar no azul
Celeste
Cobalto
Marinho
Ou no simplesmente azul
Que não sei se existe
Ou se imaginei.



Por isso perco o meu olhar
Na extensão do céu
Na profundidade do mar
Nas gemas de lazúli e de safiras
Para encontrar o tal tom
Que não sei se existe
Ou se imaginei.

GM

domingo, 22 de maio de 2011

PALAVRAS

Unem-nos as palavras

Com que desfiamos

O que reprimimos


Quando o silêncio
Ditado pela ausência
Se interpõe entre nós.
Nunca estabelecemos um assunto para elas.
Deixamo-las vaguear à nossa volta
Numa estranha teia de frases soltas,
De perguntas e respostas
Que discutimos
E que vamos guardando
Numa caixa virtual
Que abrimos com rumor
E numa pressa fatal
Sempre que o mote proposto
É o amor.

SS

sábado, 21 de maio de 2011


Que país é este
Que não conserta
Os erros do seu parto prematuro?
Que país é este que arremessa
Os seus filhos
À dúvida e ao escuro?

Não aprendeu a governar-se este país!

Depois de nascer soube crescer
Descobriu o longe
Mas esqueceu o perto.
E o mar que o beija
E o embalou
Assiste impotente à sua morte lenta
Vendo-o perder-se pouco a pouco
Sem conseguir lutar contra a tormenta.

Desperta Portugal!
É a hora de lutar
Contra os que te querem destruir
Por desgoverno ou por ambição.
De Norte a Sul
Sejamos capazes de juntar vontades
E a todos que nos querem dominar
Dizer a uma voz
Um imenso NÃO.

GM

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Olha-me
Bem devagarinho
Como se quisesses
Guardar-me dentro de ti.

Toca-me
Suavemente
Como se eu fosse o papel
Onde escreves as tuas memórias.

Assim
Quando eu voltar
Serei a parte do teu corpo
De que sentiste falta enquanto estive ausente.

SS

segunda-feira, 16 de maio de 2011

EXPLICAÇÕES PARA O AMOR

O amor tem muitas explicações
E muitas formas.
Para te amar
Não preciso que estejas aqui
Basta-me saber que conto para ti
Como uma peça fundamental
No teu quotidiano.

Se estou perto
Sinto-me como se fosse
O teu outro eu
Porque tudo de quanto falamos
Representa tudo quanto partilhamos.

Para nós falar
É um modo especial de amar

SS

segunda-feira, 9 de maio de 2011

TEMPOS PERDIDOS

Nunca me tentaste beijar Na última fila de uma sala de cinema. Talvez porque nunca fomos juntos ao cinema. Nem me esperaste à porta da Liceu Não por medo da reitora Mas porque vivias noutro lado do país. Pela mesma razão Nunca nos encontramos em bailes de garagem Onde nos embalávamos entre o blues e os rocks. Vivemos o pesadelo da guerra Sentindo saudades por outras pessoas Que não um do outro. Até nem nos conhecíamos…. Destas memórias desfiadas em espaços repartidos Como lamento os nossos tempos perdidos SS