Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Deus deu-nos poderes De gerirmos livremente A nossa vida e os nossos tempos. Esqueceu-se porém De nos oferecer, Para lembrarmos as horas felizes, Um espaço à parte na memória Para isolarmos do mundo que nos mina Apenas os bons momentos SS

domingo, 30 de janeiro de 2011

PEDRO LEMBRANDO INÊS

Em que pensar, agora, senão em ti? Tu, que me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a manhã da minha noite. É verdade que te podia dizer: «Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos apenas dentro de nós próprios?» Mas ensinaste-me a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou, até sermos um apenas no amor que nos une, contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor: ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo esse que mal corria quando por ele passámos, subindo a margem em que descobri o sentido de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor, de chegar antes de ti para te ver chegar: com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu: a primavera luminosa da minha expectativa, a mais certa certeza de que gosto de ti, como gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.
"Pedro lembrando Inês" - NUNO JÚDICE

sábado, 29 de janeiro de 2011

VIAGEM

Fazer uma viagem É sempre gratificante Não só pelo durante Mas pelo que sentimos ao vê-la chegar E pelo que depois conseguimos recordar. Apesar de tudo isto Existe apenas um pequeno senão: Se é fácil ir Custa sempre regressar SS

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Contar as horas pelos dedos E os minutos pelo bater do coração É algo diferente do amor E que ultrapassa os limites da paixão SS

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sinto frio Mas quando olho para fora Há um sol que brilha e me ilumina a alma. Não basta para a aquecer Mas já é curta a demora Um pouco de tempo mais Muita calma E chegará a hora SS

sábado, 22 de janeiro de 2011

PRESENÇA

Tenho a tua presença no meu corpo Em vestígios imperceptíveis. Ninguém os vê Ninguém lhes toca Nem os adivinha. Apenas eu conheço A sua forma Sei o seu local E inspiro o seu odor. Sinais de posse E de querer Cada um é um marco real Do mapa que esboçamos Para vivermos este amor. SS