Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 2 de setembro de 2012

A ÚLTIMA MULHER QUE TOCA A MESMA MÚSICA



Quantas mulheres houve na sua vida?
Claro que não confessa
Talvez nem as tenha contado

mas dentro de si algo ficou guardado:
a marca de cada uma,
os porquês da afeição

os seus cheiros,
os corpos,
as maneiras de amar…

Não tenho ciúmes
de qualquer uma delas
nem do que cada uma foi para si.
Com alguma probabilidade,
se atendermos ao tempo que passa
e à nossa idade
no que toca a partilhar sentimentos
sinto-me candidata a ser a última
a usufruir essa oportunidade.


SS

sexta-feira, 31 de agosto de 2012



Foi pesado o dia de hoje
pelo teu lado
e pelo meu.

A tarde trouxe-me um pouco de paz
e adormeci, cansada de pensar,
no sofá que é o meu confessor.
Por momentos sonhei contigo
e quando acordei, meio atordoada,
Interroguei-me
Porque me afligira hoje tanto.

Então percebi que só sou capaz
de viver de forma sustentada
sabendo que posso contar com o teu amor.


SS

quinta-feira, 30 de agosto de 2012


O regresso a casa
Traz sempre coisas esperadas
como o pó nos móveis
por todo o lado,
a caixa do correio a abarrotar
com cartas, folhetos e jornais,
as sombras por todo o lado

e algum aparelho útil
que aproveitou o desuso
para avariar.

Mas sabe bem regressar…
É a cama e o sofá do costume
que esperamos abraçar,
as coisas que são só nossas
juntas para nos receberem:
os cheiros habituais,
os factos de todos os dias,
os vizinhos do café,
o porteiro e o elevador,
o autocarros e as gentes,
toda a rotina vulgar
em que assenta o nosso Estar. 

Sabe sempre bem partir
mas mesmo bom é voltar!



GM

terça-feira, 28 de agosto de 2012

ESPAÇO E AUSÊNCIA




Quando me encontraste
senti a agitação do desconhecido
misturada com a magia
do ter sido descoberta.
Nunca dera por ninguém
no espaço que dizem virtual.
Desconhecia o que isso era
e que por lá havia gente a circular.
Não senti nunca como concebível
essa superfície sem dimensões onde me viste
bem próxima do que eu imaginava por inexistência.


O tempo passou.
Aprendemos muito,
mas sobretudo tomámos consciência
que, o espaço que hoje partilhamos
e onde nos queremos,
apesar de ser o real
se identifica com o virtual
porque como este
é para nós um espaço também vazio
mas tem um nome:

Chama-se ausência.

 SS

segunda-feira, 27 de agosto de 2012



A tarde passou numa correria
sem eu dar por ela.
Perdi-me com a escrita
e voei nas asas dela
para tentar fazer algo
do caos onde me encontrei.
Mas a dita
Enganou-me no caminho
e eu extraviei-me
e com ela o meu rumo.

Já era noite quando acordei…

SS

domingo, 26 de agosto de 2012

DEPOIS DA CHUVA


Hoje
o sol acendeu-se
varreu as nuvens
e apagou a chuva.


A natureza
riu-se novamente,
os pássaros voltaram ao jardim
para beijarem as flores
que, felizes, se abriram de repente
num painel luzidio de mil e uma cores.


SS