Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

MARÉS

Dei-te dias da minha vida
Com tudo que eles contêm:
Horas, minutos e segundos.
Dei-te tudo o que senti
Dos sentimentos doces
Aos mais profundos.

Agora
Há um mar exaltado entre nós
Que tenta derrubar-nos
E cujo bramir
Se sobrepõe à nossa voz.

SS

domingo, 23 de outubro de 2011

TEMPO PERDIDO

Através das palavras
Encontrei o caminho
Para chegar a ti.

Como lamento
As horas perdidas
De todo um tempo em que não as li…


SS

sábado, 22 de outubro de 2011

Custam-me os silêncios
Como me custam os nevoeiros.
Custam-me as palavras apressadas
Como me custam todas as nortadas.
São modelos indistintos, inconstantes,
E nunca se revelam em imagem.


Prefiro as frases abertas, livres, sem temor
Que atravessam o espaço em meu redor
Traçando uma esteira de presença.
Mais do que uma sombra ou uma voz
Elas são EU inteira em forma de mensagem.


gm

domingo, 16 de outubro de 2011

ESPERANÇA

Não pedia que fosse para a eternidade
mas apenas que durante
uma hora
um minuto
ou até mesmo um segundo
o mar se tornasse um novo céu
o sol exercesse de lua
e o homem voltasse a ser criança.


Prodígios impraticáveis? Decerto.
Mas sonhar ser possível manipular o mundo
Seria um sinal inequívoco de esperança.
GM

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Um dia
Tornaste-te o meu príncipe encantado
E levaste-me a um mundo de magia
De menestréis e de dragões
Com quem lutaste para me libertar.
Ensinaste-me segredos escondidos
De práticas secretas e ideais de salvação.
As tuas palavras tentaram-me
E deixei-me envolver por essa paixão.
Hoje voltamos ao quotidiano
À rotina das coisas e  pensares
Que nos mantêm ocupados
E silenciam pouco a pouco
A memória daquelas fantasias
Que com o tempo se vão tornando
Apenas uma fugaz recordação.
 
SS

terça-feira, 11 de outubro de 2011

ESTIO NO OUTONO

Não.
Hoje a tarde não esteve para poesia.
O calor sufocante
Quase estragou o meu dia.

Agora, à noite,
Descalça, e meio despida,
Espero que a minha alma se liberte
E desperte para a vida.


gm