Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Somos as duas margens do mesmo rio.
Marcamos as suas fronteiras
E com elas o modo de ele correr.
Se nos aproximamos
Ele corre com mais força.
Se nos afastamos
Ele procura manso
A foz onde nos junta
E indica
Para onde vamos
Quem somos
E qual é o nosso futuro.

Quando chegamos ao mar
A nossa peregrinação
Deixa de ser uma promessa e torna-se uma realidade
Porque ambas as margens se confundem.
Nisso reside o que entendemos por Fraternidade.


GM

terça-feira, 20 de setembro de 2011

MAPA

Acaricio o teu corpo
Como se percorresse um mapa
Em busca de um ponto de chegada.


Perdi a noção do de partida
Nos anos que passaram
E nas memórias que marcaram
O decorrer da nossa jornada.
Em cada ruga paro
Em cada pedaço de pele me extasio
Como se fosse uma novidade.
Em cada veia sinto o pulsar da tua vida
Que bebi em sorvos lentos
E se misturou com a minha
Em união de corpos e sentires.


Se tudo isto não é um ponto de chegada
Então, meu amor,
O mundo não existe
E nós somos o nada.

SS

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

REVELAÇÃO

Esquece o teu silêncio
A tua timidez
A tua moderação
E fala-me de ti
Dos teus céus
Das tuas luas
Das cores dos teus sonhos
E dos segredos do teu coração.


Abre-te, inteiro, ao meu mundo
Indica-me o rumo dos teus pensamentos
Partilha comigo os teus segredos
Olha-me nos olhos profundamente
E deixa-me descobrir tudo o que sentes
Mesmo que seja por breves momentos.

Só então terei
Tudo o que desejo
Um ser feito corpo
Mas com sentimentos

SS

sábado, 17 de setembro de 2011

Quantas palavras tenho
Para te dizer…
Quantas coisas guardo
Para partilhar contigo…
Quantos momentos lembro
Para te manter em mim…

Não fora isso
Eu já teria partido
E como nos filmes
Da minha passagem
Só recordarias
A palavra FIM


GM

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Quadra

As velas são como as asas
Que batem fortes ao vento.
As asas levam a alma
As velas o pensamento

SS
Escorre-me pelo corpo
O bafo quente
Desta tarde de Verão.


Ouço ao longe
O som surdo do mar
E imagino o areal
Pleno da gaivotas.

Tudo nos desafia para uma viagem
Escoltados por sereias e golfinhos
Num veleiro, em que será teu o leme
E minha a grande vela mestra.


Sem rumo definido,
Pararemos onde desejarmos
Ou onde nos abandonar a aragem


GM