Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


terça-feira, 6 de setembro de 2011

VOLTAR AOS TEUS BRAÇOS

Voltar ao teus braços
É como voltar a casa depois de longa ausência.
Toco-te como tocaria os objectos
Que acompanham o meu quotidiano.
Inebria-me o teu cheiro
Como o das rosas que secaram
Na jarra da sala
Sobreviventes dos dias de solidão.


Sem ti não tenho casa
Porque sem ti não há braços para me receber.
As portas da tua casa fazem-no
Porque só abrem para dentro.
SS


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SABER QUE EXISTES

Só o saber que existes
Preenche o vazio da minha solidão.

Mesmo sem os ouvir
Os teus passos seguem-me
A cada momento
Deste vaivém sem sentido
Em busca de ti.


Querer é assim.

Se vivido em ausência
Alterna entre o tormento
E a confiança.


Mas saber que apesar de tudo ainda existes
É como uma linha que me amarra à esperança.
SS


terça-feira, 30 de agosto de 2011

A minha vida
Foi traçada em desejos de fuga
E pintada de desatino.
Por isso os meus sonhos
Só são realizáveis
Quando cavalgar uma nuvem
E partir
Sem percurso
Sem rasto
Sem destino…


SS

sábado, 27 de agosto de 2011

PERCURSOS...

Primeiro surgiram ideias
Depois palavras
Traçadas a preto no branco de uma página.
Traziam convites
Lembravam sentimentos
E muito de insondável…
Solidão?
De certo
Mas também um desafio
Irrecusável
Apetecível
Sedutor.

O tempo fez-se em dias
O sol e a lua
Cruzaram-se nos anos
Partilhados em presença
E numa ausência
Que esqueceu o esquecimento.

Agora…
Que fazer
Deste diálogo longo
Que se tornou amor?


SS

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ÁGUA DE CHUVA

A chuva desta tarde de verão
Colou-se à vidraça
Que me isola do jardim.

Duas gotas límpidas
Desceram de mansinho
E tornaram-se uma só
Quando se chocaram
Mesmo frente a mim.


Interrogo-me se o sucedido
Terá sido uma busca
Ou um acaso.
Não sei o que pensa a chuva
Mas para mim foi mesmo um “caso”.
SS

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

PARTILHA

Abri-te os meus braços
e embalei-te os sonhos
em palavras desfiados.


Bebi o azul do teu céu
em ilusões partilhadas.


Caiu a tarde e eu parti
De mim, nunca de ti.


SS