Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sábado, 20 de agosto de 2011

BRISA

A brisa que passou trouxe-me a tua voz
E o cheiro das montanhas que te abraçam.
Em troca envio-te a maresia
Embrulhada em flor de sal e azul cobalto
Para refrescar o resto do teu dia
GM

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

TEMPO

Estou indecisa entre saber
Se me perdi no tempo
Ou se foi o tempo que se perdeu de mim.
O que pensava ontem ser uma realidade
Hoje sinto que terá sido somente uma probabilidade.
Pesa-me profundamente este desatino
De que sinto ser a única responsável
Porque confiei deliberadamente
O rumo do meu tempo
Ao arbítrio do destino.

SS

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Passar o dia nos teus braços
Acariciando-te o rosto,
Mergulhar inteira no teu olhar
E descobrir bem lá no fundo
O sítio que reservaste para me abrigar,
Isso seria a forma mais perfeita
Para ambos celebrarmos
A tua chegada a este mundo

SS

sábado, 13 de agosto de 2011

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.

... A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.


Pablo Neruda

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

OS DIAS QUE SE SEGUEM

O dia depois
É sempre diferente
Não se repetem os mesmos gestos
Nem se fazem as mesmas escolhas.
O dia depois é de reflexão
Sobre o que o que se passou no dia antes
E a certeza ou incerteza das nossas atitudes.
Por isso alterna sempre entre a ideia da repulsa
Ou o prazer imenso de uma aceitação.


GM

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

FASCINAÇÃO

O que me mantém desperta

E me ajuda a erguer em cada dia

É uma teimosa e intrínseca ilusão.

Sem ela não sei se viveria

Mas o que não teria de certeza

Era este meu coração.