Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

MUDANÇA

Mudam-se os tempos
Mudam-se as vontades
Mudam-se as casas
Mudam-se as amizades


Mudam as pessoas
E começam as saudades.

SS

SONHAR

Deixa-me sonhar
Mesmo que o sonho
Seja apenas uma promessa
Feita sem intenção de cumprir.


Pior do que isso
É pensar que em algum momento,
Mesmo sem ser deliberado,
Alguém me esteve a iludir.


SS

sábado, 30 de julho de 2011

Não sei como estou
Já nem sei quem sou
Só acho que não sou assim
Perdida de ideias e valores
E
Imensamente
Cansada de mim


SS

sexta-feira, 29 de julho de 2011

ESTE MAL QUE NÃO TEM CURA

Este mal que não tem cura,
Este bem que me arrebata,
Este rigor que me mata,
Esta entendida loucura
É mal e é bem que me apura;
Se equivocando os rigores
Da fortuna aos desfavores,
É remédio em caso tal
Dar por resposta ao meu mal:
Tenho amor, sem ter amores.

É fogo, é incêndio, é raio,
Este, que em penosa calma,
Sendo do meu peito alma,
De minha vida é desmaio:
E pois em moral ensaio
Da dor padeço os rigores,
Pergunta em tristes clamores
A causa minha aflição,
Respondeu o coração:
Tenho amor, sem ter amores.


(Poema de Soror Madalena da Glória (1672-?)

sábado, 23 de julho de 2011

TANGO

Um tango
Apenas um
Não te pediria mais.
Aliás nem sei se o sabes dançar
Mas que importa?
O que eu quero realmente
É apenas que me faças voar
No ninho dos teus braços
Ao som de um tango
Como fundo.

Louco o meu pedido?
Talvez,
Porque também não sei dançar.
Só pretendo que me embales
Para eu recordar

Que contigo consegui ser bailarina uma vez 
Mesmo que tenha sido apenas um segundo.


quinta-feira, 21 de julho de 2011

O sol que anda fugido
Talvez com medo do verão
Hoje entrou pela janela
Veio encontrar-se comigo
E pintou uma aguarela
Na tela da minha mão.


GM