A ter de acontecer
Esta seria a manhã ideal
Para D. Sebastião regressar.
Está nevoeiro.
E não se trabalha
Porque é domingo.
Sem termos que fazer
Nem que ler,
Já que os jornais não trazem novidades
Porque o governo ainda não caiu
E também não há bola,
Aproveitaríamos esta quietação
Para o irmos, em procissão,
Recolher.
gm
Uma irreverência entre a memória e a saudade
Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...
segunda-feira, 4 de julho de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
SE EU FOSSE APENAS ...
Se eu fosse apenas uma rosa,
com que prazer me desfolhava,
já que a vida é tão dolorosa
e não te sei dizer mais nada!
Se eu fosse apenas água ou vento,
com que prazer me desfaria,
como em teu próprio pensamento
vais desfazendo a minha vida!
Perdoa-me causar-te a mágoa
desta humana, amarga demora!
- de ser menos breve do que a água,
mais durável que o vento e a rosa...
Cecília Meireles
com que prazer me desfolhava,
já que a vida é tão dolorosa
e não te sei dizer mais nada!
Se eu fosse apenas água ou vento,
com que prazer me desfaria,
como em teu próprio pensamento
vais desfazendo a minha vida!
Perdoa-me causar-te a mágoa
desta humana, amarga demora!
- de ser menos breve do que a água,
mais durável que o vento e a rosa...
Cecília Meireles
sábado, 2 de julho de 2011
NÓS
Os dois
Às vezes somos um
Outras meio mundo…
Saber quantos somos
Ou quem somos
Convive dentro de nós
Como um mistério sem fundo
SS
Às vezes somos um
Outras meio mundo…
Saber quantos somos
Ou quem somos
Convive dentro de nós
Como um mistério sem fundo
SS
sexta-feira, 1 de julho de 2011
FIM DE TAREFAS
Que bom ter
Um livro para ler.
Não sonhar com nada
Ficar esticada
No sofá da sala
A pensar voar
P’ra outro lugar.
Preparar a mala
E
por fim
zarpar…
gm
Um livro para ler.
Não sonhar com nada
Ficar esticada
No sofá da sala
A pensar voar
P’ra outro lugar.
Preparar a mala
E
por fim
zarpar…
gm
domingo, 26 de junho de 2011
PORTO. A CIDADE. A NOSSA
Porto. A cidade. A nossa.
O GRANITO.
Cinzento-cor que esconde o vermelho de viver.
O ABRIGO
Vislumbrado na tempestade, no canto das sereias, na calmaria, no fogo-fátuo.
Sempre para além da fronteira.
A LUZ
Imanente. Trespassante em cada um de nós.
Mais bela nos entardeceres de António Cruz, à beira-rio.
DC
sexta-feira, 24 de junho de 2011
O IMPOSSÍVEL
Desejo o impossível.
Por isso estou farta do possível
Do que me é dado diariamente
E de que desfruto por rotina
Numa desatenção total.
O meu quotidiano
É preenchido pelo esquecimento
De tudo quantos os outros enxergam
Ou sentem.
Eu só vivo se alcanço o impossível
Por isso considero o real
Como apenas e só um obscuro momento.
SS
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