Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sexta-feira, 1 de julho de 2011

FIM DE TAREFAS

Que bom ter
Um livro para ler.

Não sonhar com nada

Ficar esticada
No sofá da sala
A pensar voar
P’ra outro lugar.

Preparar a mala
E
por fim
zarpar…

gm

domingo, 26 de junho de 2011

PORTO. A CIDADE. A NOSSA


Porto. A cidade. A nossa.


O GRANITO.
Cinzento-cor que esconde o vermelho de viver.


O ABRIGO
Vislumbrado na tempestade, no canto das sereias, na calmaria, no fogo-fátuo.
Sempre para além da fronteira.


A LUZ
Imanente. Trespassante em cada um de nós.
Mais bela nos entardeceres de António Cruz, à beira-rio.

DC

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O IMPOSSÍVEL

Desejo o impossível.
Por isso estou farta do possível
Do que me é dado diariamente
E de que desfruto por rotina
Numa desatenção total.

O meu quotidiano
É  preenchido  pelo esquecimento
De tudo quantos os outros enxergam
Ou sentem.

Eu só vivo se alcanço o impossível
Por isso considero o real 
Como apenas e só um obscuro momento.
SS

terça-feira, 21 de junho de 2011

SER MULHER

A mulher é grande

Embora a queiram minimizar
Quando a comparam com o homem.
O que a faz maior
Não é só criar pequenas coisas
É sobretudo o jeito humilde de fazer as grandes.
Pensar na mulher
Não é só lembrar a mãe
É evocar a filha,
A esposa
A amiga ou a amante.
Ser mulher
É fazer tudo
Com um sorriso
Que pode esconder lágrimas
Ou chorar para expressar uma alegria.
Ser mulher mais do que uma grande tarefa
É uma forma única de estar e criar vida.
GM

LINHAS PARA UM FADO

Sonhei contigo esta noite

No meio da escuridão
Não tinhas forma ou jeito
Nem modos de quem queria
Apertar-me no seu peito.

Quando acordei estava só
Na  minha cama vazia
E  a morrer  de saudade.
Se me queres não me castigues
Dando-me só amizade

SS

sexta-feira, 17 de junho de 2011


Comer uma maçã
É como morder uma boca.
Ambas saciam a fome
Mas em contextos diferentes.
As duas lembram um toque
De textura semelhante
Carnuda e saborosa.
Têm um sumo adocicado
Que escorre pelos lábios
Em ribeira pressurosa.

Comparação transgressora
Dirá o mundo malvado:
Pois se prefiro a maçã
É sinal que tenho fome.
Se optar pelo boca
É porque caí em pecado.
SS