Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 17 de abril de 2011

SILÊNCIO

Apetece-me o silêncio dos pinheirais
Cortado apenas pelo sussurro do vento
Ou o murmúrio do mar
Que chega até mim como um lamento.
Vozes, não
Hoje não as quero ouvir
São palavras soltas que se perdem no ar
E não fazem mais do que mentir
SS

quarta-feira, 13 de abril de 2011

VIAGEM

É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...
Miguel Torga

domingo, 10 de abril de 2011

Num concurso organizado pela Livraria Poetria a nossa Soror Saudade viu 3 quadras suas a serem premiadas. Um orgulho quando do júri fazia parte o "nosso" Carlos Tê, esse mesmo, o autor das letras do Rui Veloso
Abraça-me muito, bem forte
E deixa o mundo acabar
Agora que te encontrei
Nunca mais te vou deixar
Se o meu amor se lembrasse
De me vir agora beijar
Eu não morreria de espanto
Mas sim de tanto o amar
Se me amas diz agora
Não deixes o tempo passar
Pois os minutos perdidos
Não se voltam a encontrar
SS

sábado, 9 de abril de 2011

VERÃO NA PRIMAVERA

Há tardes assim
Em que o céu que está sobre mim
É azul e transmite calor.
Assemelha-se bastante ao Verão
Porque já apetece praia
E aquele langor
Que nos acaricia até ao sol se pôr.
Depois …
Uma bebida fresca a dois
Um abraço envolvente
E um passeio distraído pela marginal
Que acaba certamente
Num lugar chamado amor.
SS

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Estou só
Por vezes nada é melhor do que estar só
Porque ninguém nota o que sentimos
Nos faz perguntas
Ou nos olha com ar de dó.
Só que não é esse o meu modo de estar
Quando tenho a minha própria consciência da solidão
E me sinto no fundo do nada
Tal como qualquer náufrago
Luto ferozmente
E espero que alguém surja e me estenda a mão.
SS

terça-feira, 5 de abril de 2011

UM OMBRO

Um ombro e nada mais
É o que preciso neste momento
Em que cada gesto é uma acusação
E cada palavra uma forma de tormento.
Ou então que me deixem dormir
Um sono sem sonhos
Até que tempestade passe
E eu possa reparar que há de novo sol na minha vida
E que no meu jardim o lilás recomeçou a florir.
SS