Uma irreverência entre a memória e a saudade
Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...
terça-feira, 8 de março de 2011
AS OUTRAS MULHERES E EU
Dentro de mim
Há um mundo infinito
De outras mulheres
Mulheres que recordo
Porque se atravessaram na minha vida
Ou que por lá passaram sem se atravessar.
Todas me deixaram uma marca nesse seu trajecto
Que se revelou sempre desigual.
De todas herdei memórias, gestos e atitudes
Que modelaram a minha maneira de ser
Ou a minha forma de estar,
Mas enquanto de umas fiz minhas heroínas
Porque me ensinaram a viver e a sonhar,
De outras guardo apenas o perfume da passagem
Que é leve, nos envolve mas se extingue com a aragem.
SS
segunda-feira, 7 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
VOAR
Deixem-me voar
A terra impõe-se-me como as quatro paredes
De uma sala fechada
Onde por sítios invisíveis todos espreitam
A minha privacidade.
Voar permite libertar-me
Das amarras curiosas dos voyeurs
E até dos que não me vêm e por mim passam.
Voar leva-me a atingir o céu
Cujo azul me garante a imensidão da eternidade.
Nele não há lugar
Para grilhões, conversas frouxas
Ataques pessoais.
Lá não existe nada nem ninguém.
Por isso
Deixem-me voar.
Alcançar o céu e o azul
É a minha meta final
Para atingir o grau máximo
Da pureza e liberdade.
SS
quarta-feira, 2 de março de 2011
ESPERANÇA
Que tal fazermos uma escapada
Voarmos para a terra do nada
E construirmos um espaço para os dois
Onde haja sol, paz e muita esperança
E cada dia seja para ambos uma novidade
Como eram todos aqueles que vivemos
Quando o nosso dever era apenas ser criança?
SS
terça-feira, 1 de março de 2011
Faz um berço com as tuas mãos
E abriga-me lá dentro
Como se eu fosse uma ave abandonada.
Depois embala-me
Devagar, muito devagarinho
Para que eu possa adormecer
Na paz de um qualquer passarinho.
E se puderes, sem me acordar,
Beija-me como se eu fosse a bela adormecida.
Pode parecer-te um absurdo
Este tão estranho pedido.
Mas, amor, foi a forma mais terna que encontrei
De saber quanto me queres
Sem desfolhares uma margarida.
SS
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