Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Não sei o que o teu olhar Vê quando me fita Nem o que sentes Quando me aproximo de ti. Mas sempre que isso acontece O teu sorriso demonstra Que o meu lugar está ali. SS

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

ESPAÇO VAZIO

Adormeceu a tarde Envolta em frio e humidade E o cinza deu lugar ao negro. Não se vêm estrelas Não há luar Nem se ouvem ruídos Da cidade. Recolho-me no sofá E como um gato Enrosco-me mesmo ali Fugindo ao desconforto Da ausência Que me faz sentir Despida Neste espaço vazio de ti SS

sábado, 1 de janeiro de 2011

GOSTAR DE TI

Gosto de ti porque gosto. Se alguém disser o contrário Pode falar para o ar. Palavras leva-as o vento E espalha-as ao acaso. Se este amor controverso Só se ganha a lutar Sofrerei qualquer tormento Só para te ter e amar.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

DÚVIDA

Se compreendesse a razão do despropósito de teimar em explicar esta tendência de abrigar dentro de mim memórias e sonhos já passados, talvez descobrisse se a minha vida foi marcada por tudo quanto perdi ou pelo que ganhei a cada um dos passos dados SS

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

MUSICA PARA O NATAL

Uma música para o Natal Uma só Que calasse os Jingles Bells E os White Christmas (que até nem são tão whites por todo o lado). Ópera também não Nem sonatas Ou sequer o Hino da Alegria. E até do Natal Português Esqueceria tudo Mesmo o mais que repetido “Olhando para ó céu!” Música para o Natal, Se ma queres dar Apenas a da tua voz Dizendo baixinho Para só eu escutar: Vem comigo. Esquece o mundo lá fora E deixa-te amar... SS

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

TUDO O QUE VEMOS É DIFERENTE

Tudo o que vemos é diferente. Comecemos por nós próprios: Quando nos olhamos Vemos um outro sexo Estaturas distintas E até o cabelo desigual. Relativamente ao mundo Que nos rodeia É diversa a nossa noção de cor A análise do espaço E o modo como lidámos com os outros Sendo tão divergentes Onde está a razão Para esta forma igual e premente Que temos no amar? Talvez a encontremos Na água donde viemos. Da tua cidade vês o rio Da minha eu vejo o mar… SS