Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 7 de novembro de 2010

SE ME CHAMARES

Se me chamares E não te responder Não te zangues comigo. Não é por indiferença É mais certo ser por distracção. As minhas ideias andam confusas Entre o que tenho e o que gostaria de ter O que faço e o que deveria fazer O que sinto e não queria sentir. Se me chamares E quiseres mesmo ser ouvido Toca-me com a mão Abana-me mesmo Porque ao sentir-te O que me rodeia ou me preocupa Toma de repente outro sentido SS

VERGONHA

Perdi, amor, A ocasião de te ter No meio da confusão Deste tempo atarefado. Reencontrei-te na palavra, No som da tua voz Ao dizeres “Gostei” Nesse jeitinho especial De amante envergonhado SS

sábado, 10 de abril de 2010

OS TEU BRAÇOS

Os teus braços são longos Muito longos Quando me acolhem Tecem um ninho feito de ternura De que não posso escapar Porque o constróis à minha dimensão. Neles aqueço-me Embalada pela tua voz Que me traz os sons do mar E pelo teu corpo Que me cheira A florestas africanas. Os teus braços são longos Muito longos Um espaço de paz Onde posso descansar. SS

sexta-feira, 9 de abril de 2010

REAL

Ideias Não são mais do que conceitos Criados por nós, Copiados ou intuídos, E que muitas vezes se afastam do real. A vida só é vida Se ligada ao que se vê, Ao que se toca Àquilo cuja existência não se pode negar. Eu quero ser vista Como sou Não através de conceitos Mas pelo que revelo E para isso O meu corpo precisa de ser lido em linguagem gestual. SS

quarta-feira, 24 de março de 2010

A COR DOS TEUS OLHOS DEPOIS DO AMOR

A cor dos teus olhos depois do amor Não sei a cor dos teus olhos Depois do amor Não porque me afaste de ti Mas porque não consigo lembrar-me Poderá ser qualquer uma das cores do arco-íris Ou simplesmente as tradicionais O certo é que não sei. A cor dos teus olhos Depois do amor Nunca a vejo Apenas a sinto A envolver-me Como os teus braços Os teus lábios Como todo o teu corpo A cor dos teus olhos Depois do amor É a continuação do amor

SS

terça-feira, 2 de março de 2010

Sinto que sou insistente Talvez até impertinente Nesta busca de si De o ouvir Ou lhe falar. Desculpe Mas não consigo Perder o hábito Que ganhei há já uns anos De o “ter” sempre comigo. Não lhe peço para perdoar O assédio indecente que lhe faço Pedir por pedir alguma coisa Seria só p'ra me beijar SS