Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 24 de fevereiro de 2019

A NOSSA HISTÓRIA

A NOSSA HISTÓRIA

A nossa história
não foi uma história interrompida.
Foi um caso de amor
Que não acabou.
Ainda vive no tempo
Disfarçado de ausência
E vestido de saudade.
Regressa inteiro a cada palavra trocada
Por escrita ou por voz.
E mesmo se em silêncio
A chama que o mantém
Ė a mesma que nos mantém a nós

IL

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Dormir contigo


Ah! Dormir contigo
Nesse ninho dos teus braços
E acordar depois
Devagarinho
Com o corpo saciado
Dos teus beijos e abraços.

GM

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

SOU CONCHA

CONCHA

Sou concha
que o mar trouxe lá do fundo
e esqueceu por distração no areal.

Ninguém deu por mim.
Nem tu 

a quem eu vinha destinada.

Envolvida pela areia
e com tão pequeno formato
nem te apercebeste que nela estava guardado
um recado especial para ti.

Que pena não me teres encontrado…


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

CARÍCIA



Passo-te a mão pelo cabelo
Numa carícia leve
Para que não a sintas.
Não aprecias, eu sei, 
Mas vou insistindo.
Pode ser que um dia
Se dê um milagre
E digas que gostas
Ainda que mintas.


GM



Cúmplice de ti

Nos pensamentos e nos momentos

Que partilhamos

Cúmplice de ti

Mesmo à distância

Quando o tempo se mede em saudade

Cúmplice de ti

Em tudo que sentimos e que somos

Porque este amor sonhado a dois

Desabrochou em unidade.


GM


terça-feira, 4 de setembro de 2018


Não meço o tempo quando não estás
porque é um tempo longo
penoso
difícil de passar
um tempo de espera
que desconheço quando vai terminar.

Não conto o tempo quando tu estás
porque é um tempo tão curto
tão leve
tão feliz
tão cheio de ti
que receio que ele se vá dissipar
só porque  eu o estou a contar.
IM

segunda-feira, 3 de setembro de 2018


TARDE

Hoje a minha tarde
Brilhou com as cores do arco-íris.
O azul do céu cobriu a minha cama,
Misturou-se com o violeta
E a colcha renasceu em anil.
O verde embrulhou-me em esperança,
O vermelho abraçou-se ao amarelo
E os teu beijos de repente
Entornaram sobre mim
O fio dourado do sumo de uma laranja.

SS

sexta-feira, 31 de agosto de 2018


Não me afagues.
Dá-me antes as tuas mãos.
Eu tomo-as entre as minhas
E tudo o que sentimos
Vai ficar dentro de nós.
E não me fales.
As palavras são sons
Que se escapam
E não voltam. 
As mãos são o nosso corpo
E sente-se nelas
O calor do coração.
Por isso não me afagues
Dá-me só as tuas mãos.

SS

quinta-feira, 30 de agosto de 2018


20.6,2012
Não meço o tempo quando não estás
porque é um tempo longo
penoso
difícil de passar
um tempo de espera
que desconheço quando vai terminar.

Não conto o tempo quando tu estás
porque é um tempo tão curto
tão leve
tão feliz
tão cheio de ti
que receio que ele se vá dissipar
só porque  eu o estou a contar.

SS

MEDIR O TEMPO


MEDIR O TEMPO
Não meço o tempo quando não estás
porque é um tempo longo
penoso
difícil de passar
um tempo de espera
que desconheço quando vai terminar.

Não conto o tempo quando tu estás
porque é um tempo tão curto
tão leve
tão feliz
tão cheio de ti
que receio que ele se vá dissipar
só porque  eu o estou a contar.

SS

terça-feira, 28 de agosto de 2018

ANJO LIBERTINO



O amor é novo todos os dias.
Anjo libertino
nada o impede de aparecer
e vir-me desafiar
para eu brincar com ele.
Nunca resisto às suas traquinices
e deixo-me arrastar
por tudo quanto ele me propõe e faz.

Cada pessoa tem um anjo destes em si.
Tu és o meu.
Será que sou capaz
De me tornar também num anjo destes para ti?

GM


sábado, 25 de agosto de 2018



Quando nos encontrarmos, amor,
 Se mais não puder ser
Dá-me um abraço
Um abraço longo
Muito longo
E sem palavras.
Nós não precisamos de palavras
Para falar.
Quando os teus braços me rodeiam
Desenham um círculo
Onde só cabemos nós
E as saudades que nos unem.
É como se mergulhasse
Num mar imenso
E vogasse lentamente sobre as ondas
Até à praia onde está o teu olhar.
Quando nos encontrarmos, amor
Não quero mais nada
Apenas abraçar ... Soror S

domingo, 19 de agosto de 2018

LETRA PARA UM FADO



Perdeu-se o meu coração
Nesse teu olhar sem fim
Agora só sei viver
Quando olhas para mim.

Se não o fazes eu morro
De paixão ou de tristeza
Tristeza se não me queres
Paixão se vejo frieza.

Fita-me bem meu amor
Deixa falar teu olhar
E prova ao meu coração
Que só a mim queres amar.

IL  (EM 2015)

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

APETECIA-ME

Apetecia-me que me contasses uma história
Comigo enrolada nos teus braços
Para que o teu olhar, preso no meu,
Me fosse guiando pelos percursos
Que fiz a teu lado
No tempo que percorrermos o mundo par a par
num percurso, desenhado à distância,
forma distinta dos do resto das gentes
porque era plenamente nosso.
Por tudo isso, ele foi tão real.
Nós os dois nunca nos limitaríamos a viajar
Mesmo ao “faz de conta”
traçando apenas um esboço .

SS

quarta-feira, 15 de agosto de 2018



GUARDO-TE EM MIM

Guardo-te em mim
Como se fosses uma pele nova
Que vesti
Sobre aquela com que nasci.
Uso-te em tudo o que toco
E em tudo quanto faço.
A minha vida desenrola-se
somente em ti e para ti.
Penso-te como um espaço
Onde um dia apareci
Não para o mundo lá fora
Mas apenas para ti.

SS


sábado, 11 de agosto de 2018


DERRADEIRO POENTE


É pena, amor,
Mas chegaste tarde.
Vieste na ponta do último raio de sol
De um derradeiro poente.
Não o fizeste de propósito
Acho que foi apenas
Porque não sabias o caminho até mim.
Não peças perdão.
Acredito que demoraste
Porque a viagem foi longa no tempo
E me querias trazer um presente
Que julgavas o mais indicado
Para alguém que não conhecias,
Mas cuja existência intuías
E querias encontrar
Para te descobrires a ti próprio.
E que certa foi a escolha!
Para alguém que vivia
Na sombra dos desafectos
Nada como o que trouxeste:
A luz desse teu sorriso.
Mal me olhaste, eu brilhei
E entendi de repente
Que apesar de tantas trevas
A vida tem um sentido.
Pena ter acontecido
No último raio de sol
De um derradeiro poente

GAIVOTA MELANCÓLICA


quinta-feira, 9 de agosto de 2018


DESFIAR A TARDE

Desfiei a tarde
em pequenos pedaços
de minutos e  segundos
e esperei misturá-los 
com a tua voz.
Apenas me respondeu o silêncio
E o vento que soprava lá fora.
Com as folhas caídas que espalhou
Arrastou o nada que sobrou de nós.

GM



Aquella mañana,
Entre los pinares y la umbría
Por senderos y rutas
Donde adivinábamos el Lima
Y descansábamos nuestros ojos
Sobre el azul del mar,
Oyendo el silencio que nos cubría 
O buscando los pájaros que nos miraban,
Aquella mañana,
Perdidos del mundo,
Tan solos
Todavía tan acompañados,
Aquella mañana te quise tanto.

IL

quarta-feira, 8 de agosto de 2018


QUISERA DESCANSAR  NO TEU ABRAÇO
ao cair da tarde
quando a luz nos incendeia,
antes de vermos nascer estrelas
ou termos a lua só para nós como candeia.
O cair da tarde é o nosso tempo,
o nosso espaço,
a terra prometida,
o paraíso,
o lugar onde o cansaço
existe apenas porque em nós existe vida.
É porque essa vida dentro de nós arde
que eu quisera descansar no teu abraço
um dia destes, um qualquer,
não me interessa,
desde que aconteça sempre ao cair da tarde.
GM

quarta-feira, 1 de agosto de 2018


VENTO SUÃO


Chegaste sem avisar
Até talvez sorrindo
Daquele modo especial
De quem vem para surpreender.
Enganaste-te porém.
Uma mulher lê nos astros
E o seu coração tem faro.
Sabia que vinhas a caminho
Porque já sentira o teu cheiro
Trazido pelo vento
Que, soprando até então do norte,
virara num repente a suão.


SS