Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 19 de agosto de 2018

LETRA PARA UM FADO



Perdeu-se o meu coração
Nesse teu olhar sem fim
Agora só sei viver
Quando olhas para mim.

Se não o fazes eu morro
De paixão ou de tristeza
Tristeza se não me queres
Paixão se vejo frieza.

Fita-me bem meu amor
Deixa falar teu olhar
E prova ao meu coração
Que só a mim queres amar.

IL  (EM 2015)

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

APETECIA-ME

Apetecia-me que me contasses uma história
Comigo enrolada nos teus braços
Para que o teu olhar, preso no meu,
Me fosse guiando pelos percursos
Que fiz a teu lado
No tempo que percorrermos o mundo par a par
num percurso, desenhado à distância,
forma distinta dos do resto das gentes
porque era plenamente nosso.
Por tudo isso, ele foi tão real.
Nós os dois nunca nos limitaríamos a viajar
Mesmo ao “faz de conta”
traçando apenas um esboço .

SS

quarta-feira, 15 de agosto de 2018



GUARDO-TE EM MIM

Guardo-te em mim
Como se fosses uma pele nova
Que vesti
Sobre aquela com que nasci.
Uso-te em tudo o que toco
E em tudo quanto faço.
A minha vida desenrola-se
somente em ti e para ti.
Penso-te como um espaço
Onde um dia apareci
Não para o mundo lá fora
Mas apenas para ti.

SS


sábado, 11 de agosto de 2018


DERRADEIRO POENTE


É pena, amor,
Mas chegaste tarde.
Vieste na ponta do último raio de sol
De um derradeiro poente.
Não o fizeste de propósito
Acho que foi apenas
Porque não sabias o caminho até mim.
Não peças perdão.
Acredito que demoraste
Porque a viagem foi longa no tempo
E me querias trazer um presente
Que julgavas o mais indicado
Para alguém que não conhecias,
Mas cuja existência intuías
E querias encontrar
Para te descobrires a ti próprio.
E que certa foi a escolha!
Para alguém que vivia
Na sombra dos desafectos
Nada como o que trouxeste:
A luz desse teu sorriso.
Mal me olhaste, eu brilhei
E entendi de repente
Que apesar de tantas trevas
A vida tem um sentido.
Pena ter acontecido
No último raio de sol
De um derradeiro poente

GAIVOTA MELANCÓLICA


quinta-feira, 9 de agosto de 2018


DESFIAR A TARDE

Desfiei a tarde
em pequenos pedaços
de minutos e  segundos
e esperei misturá-los 
com a tua voz.
Apenas me respondeu o silêncio
E o vento que soprava lá fora.
Com as folhas caídas que espalhou
Arrastou o nada que sobrou de nós.

GM



Aquella mañana,
Entre los pinares y la umbría
Por senderos y rutas
Donde adivinábamos el Lima
Y descansábamos nuestros ojos
Sobre el azul del mar,
Oyendo el silencio que nos cubría 
O buscando los pájaros que nos miraban,
Aquella mañana,
Perdidos del mundo,
Tan solos
Todavía tan acompañados,
Aquella mañana te quise tanto.

IL