Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


terça-feira, 15 de maio de 2018


Ilusão
É descobrirmos
Um raio de sol
Numa noite de tempestade

É vermos uma andorinha
Voltar ao ninho
Durante o Natal

É encontrarmos
Um brinquedo perdido há anos
E sentirmos que voltamos a ser criança

É passarmos a mão por uma roseira
E vermos desabrochar do nada
Uma rosa vermelha

É, sobretudo, quando o desalento nos sufoca
Sermos surpreendidos
Pela chegada de um novo amor


GM


sexta-feira, 4 de maio de 2018



Há um pequeno nada no teu olhar
Que me intriga sempre
Porque não o sei entender…
Sinto apenas que ele me envolve
Como uma nova pele
Que se ajusta melhor ao meu corpo. 
Será ternura ou resto de prazer? 


SS

PROCURO-TE
nas pequenas coisas do dia a dia,
no que fiz e no que deixei de fazer,
em cada manhã que se abre em rosa
e em cada tarde que se fecha em azul marinho,
ao anoitecer.

Procuro-te como sou
nos sítios em que imagino estar,
mas onde afinal não estou.

PROCURA

Procuro-te no tempo que sinto passar
e naquele que espero há-de vir,
mas nunca sinto chegar.

Procuro-te no longe e no perto
no que conheço e no que desconheço,
no princípio do tempo e no seu fim.

A minha vida é toda uma procura
que só terminará quando te tiver
todo por inteiro ajustado a mim.
GM

quarta-feira, 2 de maio de 2018



O tempo do Amor

O tempo do amor
Não se conta 

Nem pelos dedos
Nem pelo calendário.
Não se lhe podem aplicar
Fórmulas matemáticas
Ou princípios de estatística
Para sabermos quando começou,
Quanto dura e quando vai terminar.
O amor
Não cabe em prazos
Sejam eles curtos ou longos

Nem se prende a estruturas ou conjunturas.
É um estado de espírito
Por isso
É impossível avaliar
Quanto um amor vai durar.
Mas se lhe quisermos conferir
Uma dimensão
Basta saber se cabe no coração.

GM

quinta-feira, 26 de abril de 2018

UMA SAGA PESSOAL


Ao longo dos últimos anos ( e já lá vai mais de uma dezena) o meu trabalho intelectual esteve sempre intimamente ligado à devoção ao Bom Jesus de Matosinhos no Brasil.  Conclui há dias que o tema se não está esgotado ( e julgo que o estará) pelo menos para mim está encerrado. Restam apenas as fotos e os videos para arrumar. Os textos já publicados estão na minha página da Academia.Edu . Outros há ainda para publicar que estão em descanso, à espera de vez para serem dados a conhecer e que eu me reponha do cansaço. Nestes anos envelheci fisicamente ( o trabalho não me permitiu envelhecer intelectualmente).Foi uma enorme viagem no tempo e no espaço que me trouxe grandes amizades, muitas alegrias mas também cansaços.
A todos os que me acompanharam nessa viagem, um enorme obrigada pela forma como o fizeram e pela amizade que me ofereceram. Com um enorme abraço aqui deixo o que ficou em mim dessa longa jornada

VIAGEM – Fim da Rota de fé

Um dia sonhei
Abrir caminhos desconhecidos
Viajando montada nas palavras escritas
E guiada pela intuição  e pela partilha.
Parti sem conhecer bem o rumo
Mas segura da meta a atingir.
Sem me despedir, nem deixar mensagem
Parti só
Num rumo que desconhecia
Mas que pressentia ser o trajecto certo
Para o que queria alcançar.
Outros a mim se juntaram
E foram meus companheiros de viagem
Sem nunca nos termos encontrado.
A fé juntou-nos e guiou-nos
E o caminho deixou de ser solitário
Tornando-se, à  distância um projecto partilhado.

Hoje a viagem acabou
Não  por cansaço ou falta de vontade,
Pois muito mais andaria se houvesse para andar,
Mas apenas porque eu cheguei onde queria
E essa era a hora que marcara para os libertar.
Assim despedimo-nos desta caminhada
E agora cada um fará  a sua própria viagem
Na direcção preferida.
Eu vou caminhar com a aragem,
Agora só e sem rumo nem rota.
Talvez por isso diz-me a intuição
Que nesta estrada que vou tomar
Farei  sozinha a última viagem
Do resto da minha vida.


 Isabel Lago  ou GM , como preferirem.

Matosinhos 2003 a 2018

quarta-feira, 25 de abril de 2018


PALAVRAS CALADAS

Pior que o silêncio
são as palavras caladas.
O silêncio é o nada,
um espaço oco e sem vida
que se busca para serenar.
As palavras caladas
Pressentem-se,  mas não se entendem.
Escolha de quem as escreve
são a expressão e a vontade
de as querer silenciadas.

GM