Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 17 de abril de 2016

Saudade

Não sei se é saudade 
Este vazio que sinto 
E que me escorre pelo corpo. 
Não! Talvez seja apenas a falta do teu corpo, 
O sentir a tua pele a enxugar a minha, 
As tuas mãos a procurarem os meus dedos 
E a cruzarem-se com eles, 
O teu olhar que vem lá do fundo E
 se derrama sobre mim 
no justo instante em que acabas de me amar. 

Será mesmo que é só saudade 
Este vazio que sinto? 

SS

sexta-feira, 15 de abril de 2016

DÚVIDA

Se compreendesse a razão
do despropósito de teimar em explicar
esta tendência de abrigar dentro de mim
memórias e sonhos já passados, talvez descobrisse 
se a minha vida foi marcada por tudo quanto perdi 
ou pelo que ganhei a cada um dos passos dados 

SS

terça-feira, 5 de abril de 2016

A CRIAÇÃO DO AMOR

Depois de criar o mundo e o homem
Deus não descansou:

Com as nuvens
modelou as formas.
Com a luz
criou o sorriso.
Com a energia do sol
fez um coração a bater.
E de todo essa obra
Nasceu a MULHER.

Deus então parou
a rever o seu labor.
Olhou e gostou. 
Então foi buscar o homem,
levou-o  até ela
E com dois fez germinar o amor.

E, só então, Deus descansou...

SS

sábado, 2 de abril de 2016

QUERER

Cruzar o meu com o teu olhar
e imaginar que és uma réstia do sol que ficou em mim;

pressentir no meu rosto o o teu respirar
e pensar que és a brisa a beijar-me;
 
sonhar com os segredos de amor que escondes
nesse silêncio tão teu e tão profundo;
adormecerrmos os dois feitos um nó
e sentirmos que passamos para além do fim do mundo.
 


Se esta não fosse já a nossa forma de querer
Era a que escolheria para te oferecer.

SS

quinta-feira, 31 de março de 2016

ESPERANÇA


Chegaste até mim como as marés
entre recuos e avanços,
entre temporais e dias de bonança.
Talvez por isso me surpreendes a cada dia
e sinto que estás presente mesmo se ausente.
amar-te assim,mais do que paixão,
é um puro exercício de esperança.

GM

terça-feira, 29 de março de 2016

Despe-me, amor,
Como só tu o sabes fazer.
Devagar, muito devagar,
Afagando a pele que vai surgindo
E beijando-a por cada peça de que me libertas.
Que interessa que se espalhem pelo chão?
São inúteis para o que buscamos.
Só então  deixa que seja eu a descobrir o teu corpo
Mesmo que seja da forma atrapalhada     
Pela excitação de quem já não consegue parar.
Segura-me como se temesses que eu voasse.
Depois faz meu o teu mundo, qualquer que ele seja.
Mas, por favor não pares de me amar…

SS