Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sábado, 2 de abril de 2016

QUERER

Cruzar o meu com o teu olhar
e imaginar que és uma réstia do sol que ficou em mim;

pressentir no meu rosto o o teu respirar
e pensar que és a brisa a beijar-me;
 
sonhar com os segredos de amor que escondes
nesse silêncio tão teu e tão profundo;
adormecerrmos os dois feitos um nó
e sentirmos que passamos para além do fim do mundo.
 


Se esta não fosse já a nossa forma de querer
Era a que escolheria para te oferecer.

SS

quinta-feira, 31 de março de 2016

ESPERANÇA


Chegaste até mim como as marés
entre recuos e avanços,
entre temporais e dias de bonança.
Talvez por isso me surpreendes a cada dia
e sinto que estás presente mesmo se ausente.
amar-te assim,mais do que paixão,
é um puro exercício de esperança.

GM

terça-feira, 29 de março de 2016

Despe-me, amor,
Como só tu o sabes fazer.
Devagar, muito devagar,
Afagando a pele que vai surgindo
E beijando-a por cada peça de que me libertas.
Que interessa que se espalhem pelo chão?
São inúteis para o que buscamos.
Só então  deixa que seja eu a descobrir o teu corpo
Mesmo que seja da forma atrapalhada     
Pela excitação de quem já não consegue parar.
Segura-me como se temesses que eu voasse.
Depois faz meu o teu mundo, qualquer que ele seja.
Mas, por favor não pares de me amar…

SS                                                                   

segunda-feira, 28 de março de 2016

VENTO SUÃO

Chegaste sem avisar
Até talvez sorrindo
Daquele modo especial
De quem vem para surpreender.
Enganaste-te porém.
Uma mulher lê nos astros
E o seu coração tem faro.
Sabia que vinhas a caminho
Porque já sentira o teu cheiro
Trazido pelo vento
Que, soprando até então do norte,
virara num repente a suão.
SS

quinta-feira, 24 de março de 2016

LINHAS

Não me apetece a tangência
porque me sugere linhas
que sobrevivem apenas se encostadas
mas cuja contínua fricção
fere toda uma existência.

Também não quero a intersecção
das linhas secantes
que se cruzam por momentos
para logo se afastarem
numa outra direcção.

Prefiro a equidistância
das linhas paralelas.
Caminhando lado a lado
nunca se perdem de vista
nem mesmo com a distância.

GM

terça-feira, 22 de março de 2016

Primavera

O Inverno
trouxe o fim da espera
pelo novo tempo que acaba de chegar
e prenuncia dias de paz
e de prazer.
A saudade
tornou-se ansiedade
de recuperar
o tempo perdido.
Promete emoção,
sentidos novos,
palavras de esperança,
silêncios alegremente partilhados,
tudo aquilo quanto o amor gera.

Despedido o longo frio do Inverno
Vivamos em amor esta nova Primavera.


SS