Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sábado, 5 de março de 2016

SAUDADES

Que saudades
Das tardes de que amarrávamos as pontas
Para que não se escapasse a espera de nós.
Ansiosos, entre risos e abraços,
Enlaçávamos os nossos corpos
num amor feito inteiro de sensualidade
e que repetíamos sem parar
Porque amar para nós é algo urgente.
SS

sexta-feira, 4 de março de 2016

DESEJO

Nas tardes de chuva
que este inverno nos tem oferecido,
tenho sentido um estranho desejo de ti.
É um desejo que fala comigo
e persegue o meu quotidiano
tal como quando estamos presentes.                                                                            
Nunca refere a distância
e é tão real
que o sinto na pele
e me sabe aos beijos que trocamos
nos momentos mais ardentes.

SS


domingo, 28 de fevereiro de 2016

CINZA E BAÇO

Cinza e baço

o dia passou lento
esvaziado de interesse
sem nenhuma novidade.
Nada me despertou.
Acabei no silêncio
do tempo vazio
e da solidão.
Nem o telefone tocou.
Agora vou esperar a noite.
Talvez o calor dos lençóis,
ao envolver o meu corpo por amar,
me traga ainda o que o dia enjeitou.

SS

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

OLHAR

Sabe-me bem a tua voz
apesar de nunca me sussurrar
palavras de amor.
Preferes o silêncio do olhar
para o fazeres.
Ele vem de dentro de dentro de ti e diz-me mais
do que as palavras o fariam
porque me envolve por inteiro.

E quando me tomas nos teus braços
Para partires para o amor
É sempre ele quem me ama em primeiro.

SS

Gaivotas

O sol acordou,
Bocejou
e afastou uma nuvem que passava.
Espreitou tímido os telhados da cidade.
Levantou a cabeça
e piscou os olhos à lua que lá no céu se despedia da noite.
Espreguiçou-se de mansinho sobre a praia
e, na ponta de cada raio, brilharam as gaivotas que voavam sobre o mar.


GM

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

SONHO

Sentar-nos lado a lado
quase sem falar
(como tu gostas);
olharmos ambos na mesma direcção 
(não interessa qual
desde que para além do chão);
deixarmos voar o pensamento sem limites
e pensarmos ser capazes de dominar tudo,
(até mesmo o tempo)
far-nos-ia crer sermos donos do mundo
e senhores de todo o conhecimento.

SS