Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Para sempre e mais um dia

Estranho é um amor
Quando feito
De encontros e desencontros
Ausências e presenças
Silêncios e palavras.

E mais estranho ainda
Quando vive nas almas
E não nos corpos
Que servem apenas de abrigo
Aos muitos sentimentos
Partilhados, mas escondidos.

Talvez porque é singular
Gostaria de viver um amor "assim"
Se ele fosse "assim" para sempre
E mais um dia.

SS

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

 Ilusão

É descobrirmos
Um raio de sol
Numa noite de tempestade

É vermos uma andorinha
Voltar ao ninho
Durante o Natal

É encontrarmos
Um brinquedo perdido há anos
E sentirmos que voltamos a ser criança

É passarmos a mão por uma roseira
E vermos desabrochar do nada
Uma rosa vermelha

É, sobretudo, quando a solidão nos sufoca,
Sermos surpreendidos  
Pela chegada de um novo amor.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

História

A tua ausência
é uma marca de saudade
Nos dias que passam por mim.
Conto-os como se desfiasse um rosário
Em que cada conta representa
Um carinho, um sorriso, uma memória.
Ah, meu amor, como gostaria
Que a nossa fosse um diferente tipo de história…


 GM

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Apanhei um fio da tua história
e instalei-me nela 

sem pedir licença.
O teu silêncio
interpretei-o como permissão
para lá permanecer. 

Primeiro fiquei um pouco só
depois fui ficando, ficando.
e quase sem dar por isso
ocupei o teu espaço
e sem me tentar esconder
preenchi-o até ao fim. 

E o fio da tua história,
aquele que eu tinha puxado 
para ser parte de ti
envolveu-se todo em mim.


SS

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A fala do silêncio

O silêncio fala-me baixinho
e conta-me histórias e segredos.
No seu todo
são difíceis de entender
por isso ouço-os atentamente
tentando descobrir
se tudo quanto ouço é uma fantasia
ou um recado dos meus próprios medos.

ss

sábado, 23 de janeiro de 2016

TARDE

Cai a tarde
Neste sábado cinza e lento
Que o sol pareceu esquecer.
Embala-me a música
Que soa baixinho para não me perturbar.
 Cada compasso sugere-me uma ideia,
Um sentimento e um desejo enorme de te falar.
Mas para quê?
O mais certo será não te encontrar.
E,  além disso, nem sei de estarás disposto
A perder uns minutos para me escutar.
Assim vou continuar enrolada no sofá
Esperando não sei o quê
Ou tentando adormecer.
Talvez me compense o dia o conseguir sonhar.

Beijo. Im