Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A fala do silêncio

O silêncio fala-me baixinho
e conta-me histórias e segredos.
No seu todo
são difíceis de entender
por isso ouço-os atentamente
tentando descobrir
se tudo quanto ouço é uma fantasia
ou um recado dos meus próprios medos.

ss

sábado, 23 de janeiro de 2016

TARDE

Cai a tarde
Neste sábado cinza e lento
Que o sol pareceu esquecer.
Embala-me a música
Que soa baixinho para não me perturbar.
 Cada compasso sugere-me uma ideia,
Um sentimento e um desejo enorme de te falar.
Mas para quê?
O mais certo será não te encontrar.
E,  além disso, nem sei de estarás disposto
A perder uns minutos para me escutar.
Assim vou continuar enrolada no sofá
Esperando não sei o quê
Ou tentando adormecer.
Talvez me compense o dia o conseguir sonhar.

Beijo. Im

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

DIA DA POESIA 2015



Entraste em mim
com uma nova Primavera
que plantaste no meu Outono.
Encheste-me os dias
de novas cores,
de sons que eu esquecera
e de palavras que deixara de usar
porque já lhes perdera o sentido e  o uso
Com o escorregar do tempo.
Não imaginava que acabasses por ficar, 
pássaro errante como és.
Mas nenhuma estação te arrastou mais
para outros lugares.
Depois, sem que me apercebesse,
delineaste um círculo
onde me prendeste,
refúgio só de nós sabido
e onde ninguém perturba
a nossa forma única de amar


GM

domingo, 29 de novembro de 2015

SENTIR

Da minha casa não vejo o mar
mas Sinto-o
no cheiro da maresia que o vento espalha
no ronco abafado da maré
que ouço sempre que há temporal.

Da minha casa não te vejo
mas Sinto-te
no raio de sol que me aquece de manhã
na rosa que acaba de nascer
e no pássaro que pousou no meu quintal.

Presença não é condição para amar.
O Amor nasce e cresce em nós de qualquer jeito
se tivermos a capacidade de sonhar.

SS


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

SENSAÇÕES


E de repente
a tarde vestiu-se de cinzento
tapou o sol
o tempo pareceu mais lento
pela penumbra que nos cobriu nesse momento.
E entre nós a conversa acabou
não sei se por falta de argumento
ou simplesmente pelo abatimento
em que ficamos sempre quando a luz se vai.
Não fiques triste, amor, amanhã é outro dia
as nuvens serão empurradas pelo vento
e de novo o sol sobre nós brilhará.
Só precisas de chegar a tempo
para não perdermos nenhum momento
do gozo de vida que cada manhã nos dá.


SS

terça-feira, 3 de novembro de 2015

SILÊNCIO


Hoje
Foi mais um dia
Em que perdi o autocarro.
Não sei se fui eu que me atrasei
Ou se tu te adiantaste
O que vai dar no mesmo:
Não nos falamos.

Mesmo à distância
Dói este desencontro inesperado
Porque quando não te ouço
Torna-se difícil
Senão impossível
O imaginar ter-te a meu lado


GM