Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 29 de novembro de 2015

SENTIR

Da minha casa não vejo o mar
mas Sinto-o
no cheiro da maresia que o vento espalha
no ronco abafado da maré
que ouço sempre que há temporal.

Da minha casa não te vejo
mas Sinto-te
no raio de sol que me aquece de manhã
na rosa que acaba de nascer
e no pássaro que pousou no meu quintal.

Presença não é condição para amar.
O Amor nasce e cresce em nós de qualquer jeito
se tivermos a capacidade de sonhar.

SS


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

SENSAÇÕES


E de repente
a tarde vestiu-se de cinzento
tapou o sol
o tempo pareceu mais lento
pela penumbra que nos cobriu nesse momento.
E entre nós a conversa acabou
não sei se por falta de argumento
ou simplesmente pelo abatimento
em que ficamos sempre quando a luz se vai.
Não fiques triste, amor, amanhã é outro dia
as nuvens serão empurradas pelo vento
e de novo o sol sobre nós brilhará.
Só precisas de chegar a tempo
para não perdermos nenhum momento
do gozo de vida que cada manhã nos dá.


SS

terça-feira, 3 de novembro de 2015

SILÊNCIO


Hoje
Foi mais um dia
Em que perdi o autocarro.
Não sei se fui eu que me atrasei
Ou se tu te adiantaste
O que vai dar no mesmo:
Não nos falamos.

Mesmo à distância
Dói este desencontro inesperado
Porque quando não te ouço
Torna-se difícil
Senão impossível
O imaginar ter-te a meu lado


GM

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

CÚMPLICE DE TI

Cúmplice de ti

Nos pensamentos e nos momentos

Que partilhamos

Cúmplice de ti

Mesmo à distância

Quando o tempo se mede em saudade

Cúmplice de ti

Em tudo que sentimos e que somos

Porque este amor sonhado a dois

Desabrochou em unidade.


GM


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

PECADO RITUAL

Sinto saudade
desse teu ar meio trocista,
meio apaixonado, 
quando, depois do amor,
te deitas de mansinho a meu lado.


Há nos teus olhos uma paz feita de gozo
 

que sem cessar esvoaça sobre nós 

derramando-se inteira sobre mim. 

E se te pergunto: isto é pecado? 

Respondes sorrindo à minha dúvida:

Será que pode ser pecado amar assim?

SS

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Tempo

TEMPO
Não temos tempo, temos saudade,
amamos em intervalos cruzados,
entre a ausência e a ocasião,
determinados pelo acaso
que corre sempre veloz.

Mas , quando estás,
o teu corpo é o meu também
porque ambos cabemos num só.
E após saciada a saudade
o tempo somos só nós.
SS