Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


terça-feira, 3 de novembro de 2015

SILÊNCIO


Hoje
Foi mais um dia
Em que perdi o autocarro.
Não sei se fui eu que me atrasei
Ou se tu te adiantaste
O que vai dar no mesmo:
Não nos falamos.

Mesmo à distância
Dói este desencontro inesperado
Porque quando não te ouço
Torna-se difícil
Senão impossível
O imaginar ter-te a meu lado


GM

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

CÚMPLICE DE TI

Cúmplice de ti

Nos pensamentos e nos momentos

Que partilhamos

Cúmplice de ti

Mesmo à distância

Quando o tempo se mede em saudade

Cúmplice de ti

Em tudo que sentimos e que somos

Porque este amor sonhado a dois

Desabrochou em unidade.


GM


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

PECADO RITUAL

Sinto saudade
desse teu ar meio trocista,
meio apaixonado, 
quando, depois do amor,
te deitas de mansinho a meu lado.


Há nos teus olhos uma paz feita de gozo
 

que sem cessar esvoaça sobre nós 

derramando-se inteira sobre mim. 

E se te pergunto: isto é pecado? 

Respondes sorrindo à minha dúvida:

Será que pode ser pecado amar assim?

SS

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Tempo

TEMPO
Não temos tempo, temos saudade,
amamos em intervalos cruzados,
entre a ausência e a ocasião,
determinados pelo acaso
que corre sempre veloz.

Mas , quando estás,
o teu corpo é o meu também
porque ambos cabemos num só.
E após saciada a saudade
o tempo somos só nós.
SS

terça-feira, 18 de agosto de 2015

ULISSES E PENÉLOPE

Como Ulisses
Iniciaste pouco a pouco
Uma viagem que te está a levar
Para bem longe de mim.  
Não sei o que persegues
Desconheço a rota do teu navegar
E muito menos a data do regresso,
Se é que um dia vais voltar.

Como Penélope 
Encherei o meu tempo
A procurar os teus sinais no horizonte,
Tecendo uma teia com fios de esperança
Que desmancharei a cada noite vazia de ti
Mas retomarei nas auroras seguintes
Até ao dia em que decidas retornar.

SS

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Voltar

Espero ver-te voltar
Um dia ao final da tarde.

Quando a luz do sol
Bate sobre mar
E me encadeia
Enrolam-se em mim
Sombras estranhas
Que sugerem faunos
Em que o humano e o bestial se confundem.
É a hora em que acredito em mitos
Lendas e outras histórias
E em que me sinto deusa sem ter deus
E o mar é o meu panteão
É quando sou Penélope sem Ulisses
E a tua memória é o meu tear

Por isso de todas as horas
Essa é a melhor para Voltar

SS