Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

CÚMPLICE DE TI

Cúmplice de ti

Nos pensamentos e nos momentos

Que partilhamos

Cúmplice de ti

Mesmo à distância

Quando o tempo se mede em saudade

Cúmplice de ti

Em tudo que sentimos e que somos

Porque este amor sonhado a dois

Desabrochou em unidade.


GM


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

PECADO RITUAL

Sinto saudade
desse teu ar meio trocista,
meio apaixonado, 
quando, depois do amor,
te deitas de mansinho a meu lado.


Há nos teus olhos uma paz feita de gozo
 

que sem cessar esvoaça sobre nós 

derramando-se inteira sobre mim. 

E se te pergunto: isto é pecado? 

Respondes sorrindo à minha dúvida:

Será que pode ser pecado amar assim?

SS

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Tempo

TEMPO
Não temos tempo, temos saudade,
amamos em intervalos cruzados,
entre a ausência e a ocasião,
determinados pelo acaso
que corre sempre veloz.

Mas , quando estás,
o teu corpo é o meu também
porque ambos cabemos num só.
E após saciada a saudade
o tempo somos só nós.
SS

terça-feira, 18 de agosto de 2015

ULISSES E PENÉLOPE

Como Ulisses
Iniciaste pouco a pouco
Uma viagem que te está a levar
Para bem longe de mim.  
Não sei o que persegues
Desconheço a rota do teu navegar
E muito menos a data do regresso,
Se é que um dia vais voltar.

Como Penélope 
Encherei o meu tempo
A procurar os teus sinais no horizonte,
Tecendo uma teia com fios de esperança
Que desmancharei a cada noite vazia de ti
Mas retomarei nas auroras seguintes
Até ao dia em que decidas retornar.

SS

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Voltar

Espero ver-te voltar
Um dia ao final da tarde.

Quando a luz do sol
Bate sobre mar
E me encadeia
Enrolam-se em mim
Sombras estranhas
Que sugerem faunos
Em que o humano e o bestial se confundem.
É a hora em que acredito em mitos
Lendas e outras histórias
E em que me sinto deusa sem ter deus
E o mar é o meu panteão
É quando sou Penélope sem Ulisses
E a tua memória é o meu tear

Por isso de todas as horas
Essa é a melhor para Voltar

SS

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

MAIS UM DIA

E passou por mim mais um dia
que amanheceu feito esperança,
de carícias e de amores ansiados.
Mas a noite, ao chegar, trocou-lhe as voltas
e  vestiu-o todo de saudade.

Amarga sina a de quem ama sem cautela
e se deixa envolver em devaneios,
pedaços de desejo que se consomem,
soltando para a brisa, que por ali calha de passar,
sonhos desfeitos e sobras de felicidade.


SS