Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 3 de maio de 2015

DESCONCERTO

Estou em total desconcerto.
Não sei se o meu mau estar 
é desta chuva contínua e pesada
que insiste em não parar
e que  desde madrugada
o  vento agravou bastante
ao bater  na minha porta  
e despertar-me do sono
como o som de uma granada.

Desculpa, amor, esta raiva
e não te incomodes com ela…
Isto sucede por vezes
e eu sei que vai passar.
Quando? Logo veremos…
Lembro-me que isto sucede
sempre que mais te desejo
e que por razões pessoais,
impedimento ou azar,
eu não te tenho por perto
para te poder desfrutar.

SS

sábado, 25 de abril de 2015

CLANDESTINA

Não sei que caminhos percorreste
até chegares a mim.
Sabias o que querias
mas desconhecias onde o achar.
Nessa busca, que parecia não ter fim,
acabaste por me encontrar
e, sem pedir licença,
tomaste-me  como uma pertença
que guardaste no coração,
lugar que eu própria escolhi
porque por ele corre o sangue
que te dá a vida que partilhas
com a  clandestina que vive dentro de ti.

SS

quinta-feira, 23 de abril de 2015

ACONTECEU

Tive-te sem te procurar.
Dádiva de um ser desconhecido,
de quem não sei o nome
e desconheço a proveniência ,
aconteceste na minha vida
sem que o tivesse pedido
e quando menos o esperava.
Chegaste por caminhos incógnitos
nas logo percebi
que vieste para ficar
porque cabias à justa
no espaço que eu reservara para o amor .
Ajustaste-te a ele e logo o preencheste
sem aviso prévio ou permissão.
A partir de então não mais o abandonaste
e tornaste-te para sempre meu senhor.


SS

terça-feira, 21 de abril de 2015

TALVEZ PORQUE CHEGOU A PRIMAVERA

Talvez porque chegou a primavera
recuperamos as nossas conversas.
Não que tenhamos deixada de falar,
por voz ou mesmo por pensamento.
Só que os temas andavam tão frugais
e tão desligados de nós
que temia fossem arrefecer
pela falta do sol e de calor.
Com a mudança de estação
aqueceste as palavras
pintaste-as com a esperança
e as promessas chegaram-me
em todo o seu esplendor.
Agora é só esperar
que os dias passem depressa
e o longe se torne perto
para então retomarmos
o tal debate aguardado
sobre nós dois e o amor.

SS





quinta-feira, 16 de abril de 2015

NA PARTIDA DE DUAS COLEGAS

Para a Manela Leal e a Inês que partiram esta semana 


Primeiro foram os anos de convívio diário
de amizade
debate
fúria e cansaço
alegria e entusiamo
mas, sobretudo,
do bulício dos alunos
e da dinâmica da escola
que era uma segunda família.
Como em nossas casas
havia  tarefas a fazer
num dever que nos tínhamos imposto
e que tentámos levar sempre  a sorrir.

A pouco e pouco fomos desaparecendo.
Umas em busca de um repouso apetecido,
outras porque Deus lhes traçou destino diferente.
Contudo restou  um  elo entre  quem ficou e quem  partiu
e as nossas separações  nunca foram esquecimento.
Cabe agora mantermos a fé de que nos vamos rever um dia
num espaço que Deus reservou para a nossa  eternidade
 e onde perceberemos que  a nossa vida neste mundo
afinal pouco mais foi do que um momento.


IL

sábado, 11 de abril de 2015

Dói-me a distância que nos separa
que não se pode medir
mas se sente no tempo que passa sem parar
esvaziado de ti.
Quantos mundos de amor por alcançar?
Quantos beijos por trocar?
Quantos abraços por dar?
Nem a força da paixão nem o desejo
Nos fizeram vencer tanta dificuldade.

A sorte quis que um dia nos juntássemos. 
O atraso do nosso encontro
ou o destino, por ciúmes, talvez,
roubou-nos essa oportunidade.

SS