Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quinta-feira, 23 de abril de 2015

ACONTECEU

Tive-te sem te procurar.
Dádiva de um ser desconhecido,
de quem não sei o nome
e desconheço a proveniência ,
aconteceste na minha vida
sem que o tivesse pedido
e quando menos o esperava.
Chegaste por caminhos incógnitos
nas logo percebi
que vieste para ficar
porque cabias à justa
no espaço que eu reservara para o amor .
Ajustaste-te a ele e logo o preencheste
sem aviso prévio ou permissão.
A partir de então não mais o abandonaste
e tornaste-te para sempre meu senhor.


SS

terça-feira, 21 de abril de 2015

TALVEZ PORQUE CHEGOU A PRIMAVERA

Talvez porque chegou a primavera
recuperamos as nossas conversas.
Não que tenhamos deixada de falar,
por voz ou mesmo por pensamento.
Só que os temas andavam tão frugais
e tão desligados de nós
que temia fossem arrefecer
pela falta do sol e de calor.
Com a mudança de estação
aqueceste as palavras
pintaste-as com a esperança
e as promessas chegaram-me
em todo o seu esplendor.
Agora é só esperar
que os dias passem depressa
e o longe se torne perto
para então retomarmos
o tal debate aguardado
sobre nós dois e o amor.

SS





quinta-feira, 16 de abril de 2015

NA PARTIDA DE DUAS COLEGAS

Para a Manela Leal e a Inês que partiram esta semana 


Primeiro foram os anos de convívio diário
de amizade
debate
fúria e cansaço
alegria e entusiamo
mas, sobretudo,
do bulício dos alunos
e da dinâmica da escola
que era uma segunda família.
Como em nossas casas
havia  tarefas a fazer
num dever que nos tínhamos imposto
e que tentámos levar sempre  a sorrir.

A pouco e pouco fomos desaparecendo.
Umas em busca de um repouso apetecido,
outras porque Deus lhes traçou destino diferente.
Contudo restou  um  elo entre  quem ficou e quem  partiu
e as nossas separações  nunca foram esquecimento.
Cabe agora mantermos a fé de que nos vamos rever um dia
num espaço que Deus reservou para a nossa  eternidade
 e onde perceberemos que  a nossa vida neste mundo
afinal pouco mais foi do que um momento.


IL

sábado, 11 de abril de 2015

Dói-me a distância que nos separa
que não se pode medir
mas se sente no tempo que passa sem parar
esvaziado de ti.
Quantos mundos de amor por alcançar?
Quantos beijos por trocar?
Quantos abraços por dar?
Nem a força da paixão nem o desejo
Nos fizeram vencer tanta dificuldade.

A sorte quis que um dia nos juntássemos. 
O atraso do nosso encontro
ou o destino, por ciúmes, talvez,
roubou-nos essa oportunidade.

SS

sexta-feira, 27 de março de 2015

RUMAR DE NOVO



A manhã nasceu
O sol surgiu redondo
Do lado da cidade
E coloriu de rosa
O azul do mar.
Levantei-me de mansinho
Sacudi as penas
E fiz um voo curto
Para me alongar
E recuperar do medo da noite que findara.
Pousei na orla da maré.
Olhei para o alto
E pareceu-me ver,
Se bem que longe,
Um vulto ondulante de gaivota.
Aguardei ansiosa
Que se aproximasse
Para desfazer a minha dúvida
E confirmar a minha esperança.
E eis que ela chegava.
Num movimento em arco
Deslizou para junto de mim.
Cobriu-me com as asas
Cansadas de me procurarem,
segundo segredou.
Encantada
Abriguei-me nas suas penas
E mesmo sem falarmos
Percebi que não fora abandonada.

Olhei o céu
Olhei o mar
E no beijo que trocámos
Descobri
Que voltava a ter rumo novamente

gm

terça-feira, 24 de março de 2015

CABO DAS TORMENTAS


Passou o tempo
Em que a espera era só um pensamento
E não havia o longe
Porque tudo era perto.
Havia espaço para conversa
Preâmbulo de debates
Sobre temas variados
Uns actuais
Outros vindo de passados
Que conhecíamos
Mesmo sem os termos vivido.
Trocávamos cantigas de amigo
Pelas de amor
O que dava às questões muito mais calor.
E acabávamos fatalmente
com Pessoa
D. João II
e o Adamastor…

Passou o tempo
E com este legado
fomos construindo o nosso mundo!...

SS