Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 22 de março de 2015

Derradeiro Poente


É pena, amor,
Mas chegaste tarde.
Vieste na ponta do último raio de sol
De um derradeiro poente.
Não o fizeste de propósito
Acho que foi apenas
Porque não sabias o caminho até mim.
Não peças perdão.
Acredito que demoraste
Porque a viagem foi longa no tempo
E me querias trazer um presente
Que julgavas o mais indicado
Para alguém que não conhecias,
Mas cuja existência intuías
E querias encontrar
Para te descobrires a ti próprio.
E que certa foi a escolha!
Para alguém que vivia
Na sombra dos desafectos
Nada como o que trouxeste:
A luz desse teu sorriso.
Mal me olhaste, eu brilhei
E entendi de repente
Que apesar de tantas trevas
A vida tem um sentido.
Pena ter acontecido
No último raio de sol
De um derradeiro poente.

SS

sábado, 21 de março de 2015

PARTIR

Apetece-me partir
Perder-me na viagem
E não mais voltar.
Sempre que parto
carrego na bagagem
os sonhos que ficaram por sonhar
e que tento realizar
em cada lugar
em cada estrada
esperando que na voragem
das mil curvas a fazer
consiga arranjar coragem
para descobrir
se cada sonho perdido
não foi mais do que a miragem
de algo que busquei mas que perdi
porque não entendi a mensagem.


SS

domingo, 15 de março de 2015

REGRESSO A...


E de repente a manhã passou a tarde
enquanto as palavras se atropelavam
nas ideias, sentimentos e amores.

O longe fez-se perto.
O ontem tornou-se o hoje
no rasto das memórias
e na vivência dos momentos partilhados.

Sentir assim
não é saudade.
É voltarmos ao ponto onde nasceu
este bem querer gerado de uma amizade.


SS

terça-feira, 10 de março de 2015

REENCONTRO

E de repente a manhã passou a tarde
enquanto as palavras se atropelavam
nas ideias, sentimentos e amores.

O longe fez-se perto.
O ontem tornou-se o hoje
no rasto das memórias
e na vivência dos momentos partilhados.

Sentir assim
não é saudade.
É voltarmos ao ponto onde nasceu
este nosso laço bem atado em amizade

SS

segunda-feira, 9 de março de 2015

A manhã desfez-se na tarde
que surgiu luminosa
e cálida.
E a ausência que éramos tu e eu
deu lugar à presença
que fomos nós.

E a tarde escorreu no tempo
envolvida pelo som dos risos
e das palavras que não se escoavam,
alumiada pelo brilho dos olhares
e acalorada no desejo satisfeito.

E o dia escureceu
porque a noite apagou a tarde
sem que a tivéssemos sentido sequer passar.
E quando a madrugada anunciou nova alvorada

vendo-nos libertos já do peso da saudade,
distraiu-se ao ver-nos a sonhar.


GM

sábado, 7 de março de 2015

ESPERANÇA

ESPERANÇA
Sou feliz
talvez porque não tenho segredos
para esconder.
O que guardo em mim,
para além das coisas caladas
dos dias passados
e das dores sofridas,
é uma enorme multidão
de histórias de criança,
de mil e uma amizades
que fui colhendo como flores de um jardim,
de amores e desamores de uma mulher apaixonada,
tudo quanto sustenta a cada dia que passa,
as minhas memórias por inteiro.
Sou feliz
porque quanto guardo em mim
me ajuda a enfrentar cada manhã com uma nova esperança.
SS