Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

SILÊNCIO

Tanto silêncio…
Tantos dias sem palavras…
Tanta ausência.
Que nos aconteceu?
Talvez seja do frio deste Inverno
que não chega ao fim
e nos rouba o calor
do afecto e do sentir .
Não te cales, por favor,
preciso da tua voz para viver.
Sem ela deixo de ser eu
e de mim só terás então
um outro ser
que já não o meu.

SS

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

INVERNO

E os dias sucederam-se
como o  desfiar lento de um rosário.
O sol não deixou passar mais a chuva
e pintou o chão com mil pedaços de folhas já caídas.
Para nos lembrar que estamos no Inverno
abriu a porta do céu  ao frio
que aproveitou  logo para se instalar
e nos paralisar
ao escorrer pelos nossos corpos como um rio.

SS


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Viagem dentro de nós

Entraste em mim
como um rio que passa
galgando as margens
em busca do mar.
Atravessámos toda a corrente
como dois madeiros presos
até chegarmos a um areal
à hora da praia-mar.
Aí encontrámos a nossa casa,
o nosso mundo,
o modo certo de estarmos.
Então chegou a vez de ser eu a entrar em ti
e de, por fim, nos amarmos.



SS

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

TARDE

Caiu a tarde
E nem dei por ela.
O trabalho em que me ocupei
encheu-me tão totalmente
Que nem pensei em mais nada.
Por isso não te escrevi,
nem mesmo sequer te liguei.
Mas será preciso fazê-lo
quando sabes que o meu tempo,
faça eu o que faça,
está todo cheio de ti?


SS

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

CONVITE EM DIA DE CHUVA

Não parou de chover
em todo o dia
e o vento arrastou tudo à frente.
Não gosto deste tempo
que por ser cinza mais esfria.
Mas, convenhamos,
nem sempre é um estorvo.
Pode funcionar em termos de alusão
Ou de um convite claro
para algo que nos agrada:
"Que tal irmos para a cama?
Demoras muito ou pouco, amor”
“Esperar eu? Que nada."

SS

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Preciso do teu abraço 

Naquele modo de estar

Sem palavras

Mas que sinto

Como um disfarce

Porque me dizem mais do que a tua própria voz.

Quando estás assim em mim

Sei que somos realmente nós.

SS