Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

TARDE

Caiu a tarde
E nem dei por ela.
O trabalho em que me ocupei
encheu-me tão totalmente
Que nem pensei em mais nada.
Por isso não te escrevi,
nem mesmo sequer te liguei.
Mas será preciso fazê-lo
quando sabes que o meu tempo,
faça eu o que faça,
está todo cheio de ti?


SS

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

CONVITE EM DIA DE CHUVA

Não parou de chover
em todo o dia
e o vento arrastou tudo à frente.
Não gosto deste tempo
que por ser cinza mais esfria.
Mas, convenhamos,
nem sempre é um estorvo.
Pode funcionar em termos de alusão
Ou de um convite claro
para algo que nos agrada:
"Que tal irmos para a cama?
Demoras muito ou pouco, amor”
“Esperar eu? Que nada."

SS

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Preciso do teu abraço 

Naquele modo de estar

Sem palavras

Mas que sinto

Como um disfarce

Porque me dizem mais do que a tua própria voz.

Quando estás assim em mim

Sei que somos realmente nós.

SS

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

TEMPO SEM TEMPO

Pesa-me cada semana,
cada dia,
cada hora,
em que não te vejo ou te não te falo.
Mais do que uma ausência,
este quase nada que temos é um tormento.
Temos  de nos libertar
para rompermos o que nos afasta
e retomar a vida que perdemos.
Chega de esperar:
este nosso amor
já nos fez perder demasiado tempo.

SS

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PERDIÇÃO

Mesmo quando estás longe
ouço a tua voz
num som sem palavras
que me chega envolto em saudade.
Sinto-te em cada uma delas
e adivinho-te a procurar-me,
perdido  entre o desejo e o amor.
Talvez por isso o longe nunca nos afastou
e cada encontro é como a primeira vez
naquele dia em que eu fui a seduzida e tu o sedutor.

SS

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

UM BEIJO

Um beijo
só um beijo
para que o meu corpo
não esqueça o teu.
Custa tanto, amor,
viver deles vazia.
É como alguém abrir as mãos
olhar
e não ter nada de seu…

SS