Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

CONVITE EM DIA DE CHUVA

Não parou de chover
em todo o dia
e o vento arrastou tudo à frente.
Não gosto deste tempo
que por ser cinza mais esfria.
Mas, convenhamos,
nem sempre é um estorvo.
Pode funcionar em termos de alusão
Ou de um convite claro
para algo que nos agrada:
"Que tal irmos para a cama?
Demoras muito ou pouco, amor”
“Esperar eu? Que nada."

SS

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Preciso do teu abraço 

Naquele modo de estar

Sem palavras

Mas que sinto

Como um disfarce

Porque me dizem mais do que a tua própria voz.

Quando estás assim em mim

Sei que somos realmente nós.

SS

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

TEMPO SEM TEMPO

Pesa-me cada semana,
cada dia,
cada hora,
em que não te vejo ou te não te falo.
Mais do que uma ausência,
este quase nada que temos é um tormento.
Temos  de nos libertar
para rompermos o que nos afasta
e retomar a vida que perdemos.
Chega de esperar:
este nosso amor
já nos fez perder demasiado tempo.

SS

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PERDIÇÃO

Mesmo quando estás longe
ouço a tua voz
num som sem palavras
que me chega envolto em saudade.
Sinto-te em cada uma delas
e adivinho-te a procurar-me,
perdido  entre o desejo e o amor.
Talvez por isso o longe nunca nos afastou
e cada encontro é como a primeira vez
naquele dia em que eu fui a seduzida e tu o sedutor.

SS

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

UM BEIJO

Um beijo
só um beijo
para que o meu corpo
não esqueça o teu.
Custa tanto, amor,
viver deles vazia.
É como alguém abrir as mãos
olhar
e não ter nada de seu…

SS

sábado, 11 de outubro de 2014

Perdi-te, amor

Perdi-te, amor,
no vento que sopra em contratempo,
no espaço que não se deixa medir,
no passar dos dias que já nem sentimos,
na rotina diária que nos confunde,
nas palavras vazias que proferimos.

Para te encontrar
há que voltar atrás e encontrar o tempo
em que o espaço existia e os dias se ajustavam
ao mundo que ambos construímos,
na partilha de gostos e anseios
de seres que viviam porque amavam.

Perdi-te, amor,
mas vou-te encontrar.
Sumiu-se o teu rasto na bruma que se ergueu
mas não o alento para te resgatar.


SS