Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Estou vazia de tudo.
Das minhas mãos mesmo abertas
Já nada sai.
Perdi quanto tinha
No desvario do passar do tempo
Nos desamores vividos
No desfazer das malas de viagem.

De tudo sobrou-me um coração desabitado
E que somente palpita
Quando é agitado pela aragem.

SS

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sinto-te perto

Sinto-te perto
Na manhã que me acorda
Na tarde que vou entretendo
Na noite que me adormece.
Sinto-te perto na nuvem que passa
No sol que brilha em céu azul
Nas nuvens cinzentas da chuva que cai
Nas estrelas que me velam o adormecer.

Sinto-te perto como se fosses aquela parte de mim
sem a qual eu nunca poderia viver.

SS

sábado, 26 de julho de 2014

Ella Fitzgerald -Feelings

Somos Eternos

A sensação que tenho sobre nós
é  a de que  “Somos Eternos!"
Não nos importa saber como e porquê estamos aqui
e ignoramos mesmo se um dia  vamos ter um fim.
O nosso quotidiano partilha-se
entre o que sentimos e o que pensamos
num debate contínuo
de ideias, de quereres e de afazeres,
que moldam
e preenchem a nossa existência.
Para nos entendermos
basta-nos cruzar olhares.
Só necessitamos das palavras depois
quando, já no tempo e no espaço,
descobrimos, por mero acaso,
que sempre fomos um
e nunca  dois.


SS

sexta-feira, 25 de julho de 2014

TEMPO ESPERADO

Há dentro de mim um tempo esperado
mas que nunca vejo chegar.
Convive comigo desde que nasci,
mas nos anos que passaram já
nunca nos encontrámos.
Por isso o não sei descrever.
Apenas o imagino
como um momento de paz.
um espaço de calma
e quase sem  gente,
apenas a suficiente para eu ser capaz
de não me sentir só.
Se, por acaso,
alguém encontrar por aí um tempo assim
e o quiser partilhar,
não se esqueça de mim.

SS

quinta-feira, 24 de julho de 2014

SILÊNCIO


Gosto das palavras

Que troco e destroco

Com quem me cruzo,

Mas para a minha paz funcionar

É o silêncio o que mais uso.

Mergulho nele

E deixo-me levar

Como ave empurrada pelo vento

E sem saber onde vai parar.

Definitivamente

No som do silêncio

Concebi o meu espaço

E encontrei o meu alento

 SS