Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


terça-feira, 22 de julho de 2014

SALDO DE FIM DE TARDE

Chegaste bem cedo neste fim de tarde.
Como não te esperava tinha adormecido
e só te senti quando me beijaste.
Mesmo de mansinho,
o teu beijo tem o condão de me acordar
porque com ele chega o teu cheiro,
a carícia das tuas mãos,
o teu calor.
Aproveitemos então o que nos resta deste dia
e saldemos tudo quanto ambos devemos 
às contas por pagar do nosso amor.

SS

EU

Hoje contei mais um dia entre muitos outros.
Foi mais um da longa lista de dias passados
apenas na minha própria companhia.
Não, não fujo de ninguém
nem me aflige ter gente por perto,
mas sabe-me bem um pouco de  solidão,
em dose necessária para pensar em mim:
Quem sou, de onde venho, para onde vou.
Isso exige-me  muita reflexão
e as pessoas distraem-me
e impedem-me de me ver tal como sou.
Um dia, talvez, consiga reconhecer-me.
Mas para tal a minha vida terá de sofrer uma viragem
que me obrigará a renascer.
Para o conseguir
precisarei de um novo sentido para o meu caminhar
mas, sobretudo, de um companheiro de viagem.


SS

domingo, 20 de julho de 2014

PERCURSO

Esperei-te
desde que me apercebi
que mais do que um ser
era mulher.

Adivinhei-te
no esboço que de ti risquei.
Nunca te poderia conhecer
sem antes te descrever.
Encontrei-te
Perdido num espaço de devaneio


Então…depois...


A ti coube o atrever
A mim somente o ceder.

SS

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O NOSSO DIA

A cada manhã
agarro os fios de sol
e com eles teço uma teia
para te prender.
A cada noite
a lua ciumenta
desfaz fio a fio
todo o meu lavor.

Assim, resta-nos a tarde,
que não entra nesta guerra,
para nos reencontrarmos
e partilharmos o nosso corpo
entre beijos e juras de amor.


 SS

segunda-feira, 14 de julho de 2014

HORA

Chegou a hora.
É tua a palavra.
Usa-a com esse dom que tens
de a fazer desabrochar num arco-íris.

E, se no fim, 
sobrar um pouco do teu brilho,
guarda-o bem cuidado
para que esse resto seja todo para mim.

SS

segunda-feira, 7 de julho de 2014

ACONTECEU

Primeiro o vento trouxe-me as palavras
e com elas o sentido da busca do meu eu.
Depois foi a troca de um olhar
que me fez sentir o que o meu lia no teu.
Com este logo me desnudaste.
Com as mãos me desmontaste em peças
que acariciaste
e com que ergueste uma  torre de marfim
onde me colocaste como divindade

Porque sou a obra e tu o mestre,
é em cada marca que vais deixando em mim
que aprendi a amar-te de verdade.

SS