Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quarta-feira, 16 de julho de 2014

O NOSSO DIA

A cada manhã
agarro os fios de sol
e com eles teço uma teia
para te prender.
A cada noite
a lua ciumenta
desfaz fio a fio
todo o meu lavor.

Assim, resta-nos a tarde,
que não entra nesta guerra,
para nos reencontrarmos
e partilharmos o nosso corpo
entre beijos e juras de amor.


 SS

segunda-feira, 14 de julho de 2014

HORA

Chegou a hora.
É tua a palavra.
Usa-a com esse dom que tens
de a fazer desabrochar num arco-íris.

E, se no fim, 
sobrar um pouco do teu brilho,
guarda-o bem cuidado
para que esse resto seja todo para mim.

SS

segunda-feira, 7 de julho de 2014

ACONTECEU

Primeiro o vento trouxe-me as palavras
e com elas o sentido da busca do meu eu.
Depois foi a troca de um olhar
que me fez sentir o que o meu lia no teu.
Com este logo me desnudaste.
Com as mãos me desmontaste em peças
que acariciaste
e com que ergueste uma  torre de marfim
onde me colocaste como divindade

Porque sou a obra e tu o mestre,
é em cada marca que vais deixando em mim
que aprendi a amar-te de verdade.

SS

sexta-feira, 4 de julho de 2014

SOL

Hoje,

o sol, que abriu envergonhado,

aqueceu-me o corpo tiritante 

e finalmente sorri.


Para o partilhar contigo,

embrulhei-o com cuidado

na luz do meu olhar

e remeti-o, 

envolvido num abraço,

directamente p’ra ti.


SS

terça-feira, 1 de julho de 2014

O TEU OLHAR

O teu olhar
ensinou-me tanta coisa…
e até me contou histórias
algumas de encantar
outras mais para pensar
e debater contigo
o desenrolar da sua teia.
Falavas-me do Graal
que perseguias
e do Rei que mais gostavas,
mas as que eu preferia
eram as da bela Inês,
a rainha sem o ser.
Conta-me tudo outra vez.
Inventa heróis
Ou refaz os conhecidos,
Compõe fábulas
Ou cria mitos,
Mas fala-me de quanto sabes.
Mesmo que não possa entender
são motivos para eu viver.


O que guardo em mim desse teu olhar
são as histórias que gostavas de contar

segunda-feira, 30 de junho de 2014

PERDI-ME

Perdi-me dos dias
Que por mim passaram
Quase sem parar.

Perdi-me dos sonhos
Que sempre embalaram
O meu repousar.

Perdi-me das palavras
De que precisava
Quando queria falar.

Perdi-me da vida
Que ambicionara
Por tanto te amar.

SS