sábado, 26 de abril de 2014
FIO DE NOVELO
Une-nos um fio enrolado num novelo
cujo princípio vou puxando com os dedos
para atingir a extremidade que seguras
e que, se me queres,
te compete desenredar em direcção a mim.
Tarefa de paciência, mas de esperança,
a cada dia que passa este será nosso labor:
o de conseguirmos juntar as duas pontas
que, presas somente com um nó,
amarrarão para sempre o nosso amor.
SS
sábado, 19 de abril de 2014
sexta-feira, 18 de abril de 2014
CARTA DE DESPEDIDA DE GABRIEL GARCIA MARQUEZ
“Se, por um
instante, Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me
presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso,
mas, certamente pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo o que
valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a
cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria
quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem. Escutaria quando
os outros falassem e disfrutaria de um bom gelado de chocolate.
Se Deus me
presenteasse com um pedaço de vida vestiria simplesmente, jorgar-me-ia de
bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como também a minha
alma.
Deus meu, se
eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol
saisse. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas um poema de Mário
Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua. Regaria
as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado
beijo das suas pétalas.
Deus meu, se
eu tivesse um pedaço de vida!… Não deixaria passar um só dia sem dizer às
pessoas: amo-te, amo-te. Convenceria cada mulher e cada homem de que são os
meus favoritos e viveria apaixonado pelo amor.
Aos homens,
provar-lhes-ia como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando
envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar.
A uma
criança, daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.
Aos velhos
ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.
Tantas
coisas aprendi com vocês, os homens… Aprendi que todos querem viver no cimo da
montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a rampa.
Aprendi que quando um recém-nascido aperta, com sua pequena mão, pela primeira
vez, o dedo do pai, tem-no prisioneiro para sempre. Aprendi que um homem só tem
o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.
São tantas
as coisas que pude aprender com vocês, mas, a mim não poderão servir muito,
porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer.”
quarta-feira, 16 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
O MEU EU
O meu eu
são pedaços que recolho
de entes que andam perdidos
mas rondam à minha volta
procurando uma forma
ou um espaço para existirem.
Restos dispersos de memórias e de afectos,
pouco mais são que uma manta de farrapos
tecida num longo desfiar do tempo.
Este legado não faz de mim um ser perfeito
mas é a força que dá vida
ao coração que bate no meu peito.
SS
domingo, 23 de março de 2014
FALAR DE AMOR
Dizem que falar de amor
é para os poetas uma mania,
um tema recorrente nos versos
e reversos que ideiam.
Esta forma de pensar
quanto a mim, é uma utopia
de quem não entende a poesia
muito bem
e a lê na transversal.
Na realidade,
quem compreender as suas entrelinhas
descobrirá
que muitas vezes, talvez numa maioria,
o poeta só fala de amor
porque não o sente
ou não o tem.
SS
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