Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quarta-feira, 16 de abril de 2014

 

Fugiste
como ave que abriu uma gaiola
voou.

Pena teres partido assim
daquele modo ligeiro
de quem fez promessas
mas nunca amou.
SS

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O MEU EU


O meu eu

são pedaços que recolho

de entes que andam perdidos

mas rondam à minha volta

procurando uma forma

ou um espaço para existirem.

Restos dispersos de memórias e de afectos,

pouco mais são que uma manta de farrapos

tecida num longo desfiar do tempo.


Este legado não faz de mim um ser perfeito

mas é a força que dá vida

ao coração que bate no meu peito.



SS

domingo, 23 de março de 2014

FALAR DE AMOR


Dizem que falar de amor
é para os poetas uma mania,
um tema recorrente nos versos
e reversos que ideiam.

Esta forma de pensar
quanto a mim, é uma utopia
de quem não entende a poesia
muito bem
e a lê na transversal.

Na realidade,
quem compreender as suas entrelinhas
descobrirá
que muitas vezes, talvez numa maioria,
o poeta só fala de amor
porque não o sente
ou não o tem.


SS

sábado, 22 de março de 2014

CULPA

 Caiu depressa a noite

ou fui eu que não dei porque ela tivesse chegado. 

Gosto das tardes assim,

que porque são de trabalho

me mantêm ocupada.

Acreditas que nem tive tempo 

de sentir a tua ausência? 

Só quando parei

estranhei o teu silêncio.

Falta de tempo também,


um mero esquecimento

ou crise de paciência?


Deixa p’ra lá.

Amanhã é outro dia.

Porque ambos somos culpados

estamos os dois perdoados


SS

sexta-feira, 21 de março de 2014

DIA DA POESIA

 A poesia

é um mar de letras

um oceano de abraços

onde apetece mergulhar.

Montanha de afectos

cordilheira de emoções,

envolve-nos, acaricia-nos,

faz-nos sentir vivos…


Cada verso é uma mensagem

que para chegar até nós

atravessa o céu e o mar

em todas as direcções

e só repousa quando chega,


já cansada,

aos nossos corações.


GM

terça-feira, 18 de março de 2014

PROCURA


Buscam-se os nossos corpos
num espaço vazio
onde por só existir o nada
não nos conseguimos defrontar .
Nele não há recantos nem sombras
que nos possam esconder
nem cores ou ruídos que nos confundam.


Porque será então que não nos vemos?
Que cortina nos aparta?
Talvez uma tecida na loucura
de nos queremos amar
não pelo encontro
mas pela procura.  

SS