Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...
Dizem que falar de amor é para os poetas uma mania, um tema recorrente nos versos e reversos que ideiam.
Esta forma de pensar quanto a mim, é uma utopia de quem não entende a poesia muito bem e a lê na transversal.
Na realidade, quem compreender as suas entrelinhas descobrirá que muitas vezes, talvez numa maioria, o poeta só fala de amor porque não o sente ou não o tem.
Buscam-se os nossos corpos num espaço vazio onde por só existir o nada não nos conseguimos defrontar . Nele não há recantos nem sombras que nos possam esconder nem cores ou ruídos que nos confundam. Porque será então que não nos vemos? Que cortina nos aparta? Talvez uma tecida na loucura de nos queremos amar não pelo encontro mas pela procura.