Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


domingo, 23 de março de 2014

FALAR DE AMOR


Dizem que falar de amor
é para os poetas uma mania,
um tema recorrente nos versos
e reversos que ideiam.

Esta forma de pensar
quanto a mim, é uma utopia
de quem não entende a poesia
muito bem
e a lê na transversal.

Na realidade,
quem compreender as suas entrelinhas
descobrirá
que muitas vezes, talvez numa maioria,
o poeta só fala de amor
porque não o sente
ou não o tem.


SS

sábado, 22 de março de 2014

CULPA

 Caiu depressa a noite

ou fui eu que não dei porque ela tivesse chegado. 

Gosto das tardes assim,

que porque são de trabalho

me mantêm ocupada.

Acreditas que nem tive tempo 

de sentir a tua ausência? 

Só quando parei

estranhei o teu silêncio.

Falta de tempo também,


um mero esquecimento

ou crise de paciência?


Deixa p’ra lá.

Amanhã é outro dia.

Porque ambos somos culpados

estamos os dois perdoados


SS

sexta-feira, 21 de março de 2014

DIA DA POESIA

 A poesia

é um mar de letras

um oceano de abraços

onde apetece mergulhar.

Montanha de afectos

cordilheira de emoções,

envolve-nos, acaricia-nos,

faz-nos sentir vivos…


Cada verso é uma mensagem

que para chegar até nós

atravessa o céu e o mar

em todas as direcções

e só repousa quando chega,


já cansada,

aos nossos corações.


GM

terça-feira, 18 de março de 2014

PROCURA


Buscam-se os nossos corpos
num espaço vazio
onde por só existir o nada
não nos conseguimos defrontar .
Nele não há recantos nem sombras
que nos possam esconder
nem cores ou ruídos que nos confundam.


Porque será então que não nos vemos?
Que cortina nos aparta?
Talvez uma tecida na loucura
de nos queremos amar
não pelo encontro
mas pela procura.  

SS

 

sábado, 15 de março de 2014

AMORES ACABADOS


Uma a uma
caíram as folhas
das buganvílias do jardim.
O chão cobriu-se de um manto rosa e branco
matizado com castanhos
pelas pinceladas da chuva
que caiu antes dele se desdobrar.

A cada ano que passa
choro por essas pétalas desfeitas
que  sugerem que os amores,
mesmo se os julgamos maiores,
têm data para acabar … 

SS

domingo, 9 de março de 2014

CASTIGO


Conto os dias

conto as noites

que faltam para te ver.

Estranho castigo este 

que a sorte me aplicou:

Trouxe-te até à minha vida

Para te amar sem te ter.


SS