Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sábado, 22 de fevereiro de 2014

VOZES DO SILÊNCIO


O silêncio fala-me baixinho
e conta-me histórias e segredos.
No seu todo
são difíceis de entender
por isso ouço-os atentamente
tentando descobrir
se tudo quanto dizem é uma fantasia
ou um recado dos meus próprios medos.

SS

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

ESPERA


É longa a espera
Que a chuva deixe de cair
É longa a espera
Que o vento pare de soprar
É longa a espera
Que o mar volte ao seu leito...

Mas vai haver um dia, amor,
em que tudo voltará ao seu antigo jeito...
SS

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

SILÊNCIO

De repente
um silêncio raro se instalou entre nós.
Não entendi.
Esperei
Perguntei
Voltei a esperar
E nada aconteceu.
Então respondi da mesma forma.
Calei.

Para quê falar
Quando não se ouve a nossa voz?


SS

sábado, 15 de fevereiro de 2014



Chegaste de madrugada.

Encontrei-te ao princípio de uma tarde

algures num jardim.

Longa tem sido esta jornada

feita de um pouco de tudo

e sobretudo de nada

mas que nos preenche mesmo assim.


SS

 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

GAIVOTAS EM TERRA




Sobre a minha casa
não é costume verem-se  as gaivotas
em dia de temporal.
Até eu, que me considero uma delas,
evito aparecer
e fico enrodilhada no sofá
a recordar velhas músicas
ou filmes vistos e revistos
daqueles que fazem chorar,
porque de amores perdidos ou achados,
e que dão jeito ver nestas ocasiões.

Mas há pouco,  não adormeci
e nem sequer sonhei,
olhei pela janela e vi
duas gaivotas a voar por cima dos telhados. 

Fuga da ventania ou voo de enamorados?

GM

DEPOIS DE TER VOCÊ