Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sábado, 15 de fevereiro de 2014



Chegaste de madrugada.

Encontrei-te ao princípio de uma tarde

algures num jardim.

Longa tem sido esta jornada

feita de um pouco de tudo

e sobretudo de nada

mas que nos preenche mesmo assim.


SS

 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

GAIVOTAS EM TERRA




Sobre a minha casa
não é costume verem-se  as gaivotas
em dia de temporal.
Até eu, que me considero uma delas,
evito aparecer
e fico enrodilhada no sofá
a recordar velhas músicas
ou filmes vistos e revistos
daqueles que fazem chorar,
porque de amores perdidos ou achados,
e que dão jeito ver nestas ocasiões.

Mas há pouco,  não adormeci
e nem sequer sonhei,
olhei pela janela e vi
duas gaivotas a voar por cima dos telhados. 

Fuga da ventania ou voo de enamorados?

GM

DEPOIS DE TER VOCÊ

sábado, 8 de fevereiro de 2014

TARDE DE NÃO FAZER NADA


Há tardes assim
em que não apetece nada
sobretudo quando há muito para fazer.
Mas entre o dever
e ouvir uma bela canção
que nos embale ou faça sonhar,
nada como abandonar a tarefa
e embarcarmos em viagem começada a viver
lá  bem longe num passado mais feliz
ou  partirmos à procura de um amor por resolver.


GM

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

FELICIDADE


Nem imaginava como era feliz
quando esperava ansiosa que a felicidade
viesse visitar-me
e ficasse na minha companhia
ainda que fosse por instantes.

Um dia
pareceu-me vê-la chegar..
Contudo
ou porque não soubesse a direcção,
ou se tivesse enganado,
foi bater na porta ao lado.

SS

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A 4 MÃOS

Hoje foi dia de criarmos personagens

A partir de nomes e de lugares

Que não são nossos

E andam dispersos no longe do tempo.


Não podermos fazê-lo

Numa sinfonia a quatro mãos

É a única coisa que lamento.


SS