Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sábado, 1 de fevereiro de 2014

SÁBADO FRIO DE UM QUALQUER INVERNO

Não me apetece nada.
Até o simples teclar me incomoda
e perturba o meu estado de apatia.


Doença não será
e nunca fui dada à preguiça.
Mas não entendo esta inacção.

Se junto de um poeta
procurasse uma explicação
para semelhante torpor
certamente ele concluiria
que o meu caso era o paradigma perfeito
de uma mera crise de melancolia.


SS

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

FRIO


E de repente
foi-se a chuva
e voltou o frio.

O sol que espreita sobre as nuvens
não chega para aquecer.

É tempo de recolhimento
e na maior intimidade
à lareira e com calma
beber um tinto aquecido
em amena cavaqueira
com o amor do momento.
SS

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

MÃO

Dá-me a tua mão.
Deixa-me ler o que está escrito
em cada uma das suas linhas,
sulcos rasgados na pele
que me habituei a afagar.

Como não sei interpretá-los
preciso que sejas tu a traduzi-los
para que eu entenda
se são uma teia secreta de mensagens
ou o esboço que traçaste para me inventar.


SS

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

VOAR

Ensina-me a voar
e leva-me contigo
pelo mundo inteiro
porque sem ti não o saberei alcançar.

Quero conhecer o chão
que pisas todos os dias,
os lugares onde te escondes,
de onde partes e onde chegas
para que eu te possa encontrar.
Faz-me voar, até ao firmamento,
se isso for preciso.


Não quero perder-me de ti
em nenhum momento.


SS

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

SOL DE INVERNO

Na tarde cinzenta
o sol esforçou-se,
rompeu as nuvens
e veio passear no meu jardim.


A rosa em botão mudou de cor,
do muro saltou um gato
espantando o pássaro que voava sobre mim.

Obrigada, Senhor pelo momento de luz
que trouxe um pouco de calor
a este Inverno de que não se prevê o fim.



SS

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

PEQUENOS GRANDES PRAZERES

Não sou de grandes prazeres
Daqueles que evocam
O infinito ou o pecado.
Bastam-me os pequenos
De preferência variados: 

Um livro que se descobre
E se lê em solidão;
Uma música, talvez um swing,
Que me arrasta a paraísos perdidos;
Um encontro de amigos,
Marcado ou inesperado,
Festejado em união
De uns tintos bem escolhidos… 

Tudo para mim é um prazer
Se me enche o coração. 

SS