Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

PEQUENOS GRANDES PRAZERES

Não sou de grandes prazeres
Daqueles que evocam
O infinito ou o pecado.
Bastam-me os pequenos
De preferência variados: 

Um livro que se descobre
E se lê em solidão;
Uma música, talvez um swing,
Que me arrasta a paraísos perdidos;
Um encontro de amigos,
Marcado ou inesperado,
Festejado em união
De uns tintos bem escolhidos… 

Tudo para mim é um prazer
Se me enche o coração. 

SS

 


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

NOSSO TEMPO





Este tempo
sem tempo
que nos tocou
levou-nos as palavras
partilhadas cada dia
numa ida sem volta
numa pergunta sem resposta
num sol que não se pôs
porque não se levantou
num pássaro que partiu
e não voltou.


SS



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

QUANDO A SAUDADE BATE


É assim
quando a saudade bate
não basta o som das palavras
nem a recordação dos dias que já foram.
 
Quando a saudade bate
bate pelo tempo que há-de vir, mas não chega,
pelo toque da pele de que se teme perder o cheiro,
pelos silêncios que dizem mais do que as palavras,
mas, sobretudo,
pela pela ânsia de sentir o teu coração a bater encostado no meu peito
 
 
SS

domingo, 19 de janeiro de 2014

DEPOIS DA TEMPESTADE... VEIO O SOL


O meu pátio
parece uma rua de bairro popular
em festa de padroeiro.
Bandeirolas de camisas e camisolas,
festões de saias e calções
e lençóis lembrando colchas
penduradas das janelas.
Nas casas aqui do lado
repete-se a trabalheira.
Da rua chega o espanto
dos pedestres espantados
pela barulheira
e sobre o que aqui sucedeu. 

Pobres coitados!

Talvez porque é domingo,
santo dia  de lazer,
sem temporal avisado,
no seu passar alheado
nem viram que o sol nasceu
enxugando as nossas almas
e o enxoval pendurado.
 
SS

sábado, 18 de janeiro de 2014

ALFABETO PESSOAL

Cabes em cada uma das letras

do meu alfabeto.

Por isso em tudo quanto escrevo

tu estás sempre presente

porque vives dentro das palavras.


Assim embora os outros me consigam ler

apenas tu me sabes entender.



SS

 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

TATUAGEM

Tatuei na minha pele
cada momento vivido
cada emoção sentida
cada palavra proferida
neste tempo que tivemos
mas que não nos pertenceu.

Marcas da nossa existência
evocam a eterna procura
de um dia por nós esperado
mas que nunca amanheceu.


SS