Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...
Sabes, amor, Há pouco pensei em ti No nosso encontro sem sentido E em tudo quanto vivemos Desde aquela madrugada Em que me descobriste do outro lado do mar. Quanta coisa feita desde então a duas mãos que não se tocavam Quantas ideias elaboradas num longe para além da distância Quantos assuntos debatidos no silêncio das vozes Quantas conclusões tiradas apenas por sintonia de pensares.
Tudo isto me faz crer que nem sempre o estar perto É a mais perfeita circunstância para amar.