Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


terça-feira, 19 de novembro de 2013

NUMA PARTIDA


Filó

Acredito que cada um de nós
será capaz de transformar a dor da tua partida
num momento de muitas memórias
em que a tua perda representa apenas mais uma ausência
e cada lágrima, que agora choramos,
uma pérola que enfiaremos no cordão
que é o passar de cada dia
e com que faremos um rosário especial
para rezarmos por ti.


A eternidade não tem princípio e nem fim.
Quando lá chegarmos
Não temos que pensar no que ficou para trás
nem no que está para vir.
Nesse momento
teremos à nossa espera
todos quantos como tu nos deixaram
para nos esperarem e indicarem o caminho.
E nesse lugar, que julgamos sempre tão distante
Porque nos chama de surpresa,
Vamos ver-te à nossa espera
A fazer o que tão bem sabes: sorrir.
 
Até sempre, amiga

Isabel 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

ESTRADA



A cada dia
percorremos mais um pouco da longa estrada
que há entre nós,
espaço vazio que desconhecemos
mas de que procuramos entender a realidade.

Os passos dados em direcção ao outro
são apenas etapas
que nos ligam mais do que nos separam.
Partimos com a certeza de um encontro,
termo desta busca de desejo modelado na saudade.


 SS

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

RUMO DE PALAVRAS

Recolho-me nas tuas palavras,

aves em voo de um bando perdidas


buscando o seu rumo num outro lado

que não o dos outros, dos comentaristas,

mas antes diverso do que é esperado.


Sorvo-as por inteiro,

não em frases longas, mas letra a letra,

alimento-me com elas para me livrar

da teia tecida por malabaristas

que jogam com elas para nos enganar.


SS   

domingo, 10 de novembro de 2013

CIDADE DESCONHECIDA

Procurei-te em cada canto que percorri
mas não te achei,
não te senti,
não te beijei.

A cidade hoje foi outro lugar
que eu não conhecia,
por onde nunca passei
e que vou tentar esquecer
como  se esquecem os lugares vazios
aqueles que não nos dizem nada
porque além de inúteis são sempre frios.

SS

sábado, 9 de novembro de 2013

PROXIMIDADE DISTANTE

É quase insuportável

este saber-te longe de mim

quando vou estar tão perto.

Vou imaginar-te em cada esquina

e em cada lugar que já percorremos.


Mas apesar de não te poder ver por ali

o lugar a meu lado será sempre teu decerto.


SS

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ORALIDADE

Quase tanto como do teu corpo
preciso das tuas palavras
que me dizem o que gosto de ouvir:
pequenos segredos nossos
que só nós conhecemos

só nós partilhamos
só nós entendemos.
É um querer feito de palavras soltas
que trocamos em pura liberdade.


Mais  que os grandes gestos ou carícias
o que sustenta este nosso amor

é sabermos usá-lo em oral cumplicidade.

SS