Uma irreverência entre a memória e a saudade


Há um fio ténue que liga a memória com a saudade. Chamei-lhe irreverência porque ele se move constantemente e em todas as direcções fazendo-me lembrar o vento que, vindo do mar, me afaga desde que nasci...


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

RUMO DE PALAVRAS

Recolho-me nas tuas palavras,

aves em voo de um bando perdidas


buscando o seu rumo num outro lado

que não o dos outros, dos comentaristas,

mas antes diverso do que é esperado.


Sorvo-as por inteiro,

não em frases longas, mas letra a letra,

alimento-me com elas para me livrar

da teia tecida por malabaristas

que jogam com elas para nos enganar.


SS   

domingo, 10 de novembro de 2013

CIDADE DESCONHECIDA

Procurei-te em cada canto que percorri
mas não te achei,
não te senti,
não te beijei.

A cidade hoje foi outro lugar
que eu não conhecia,
por onde nunca passei
e que vou tentar esquecer
como  se esquecem os lugares vazios
aqueles que não nos dizem nada
porque além de inúteis são sempre frios.

SS

sábado, 9 de novembro de 2013

PROXIMIDADE DISTANTE

É quase insuportável

este saber-te longe de mim

quando vou estar tão perto.

Vou imaginar-te em cada esquina

e em cada lugar que já percorremos.


Mas apesar de não te poder ver por ali

o lugar a meu lado será sempre teu decerto.


SS

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ORALIDADE

Quase tanto como do teu corpo
preciso das tuas palavras
que me dizem o que gosto de ouvir:
pequenos segredos nossos
que só nós conhecemos

só nós partilhamos
só nós entendemos.
É um querer feito de palavras soltas
que trocamos em pura liberdade.


Mais  que os grandes gestos ou carícias
o que sustenta este nosso amor

é sabermos usá-lo em oral cumplicidade.

SS

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

SAUDADES DE NÓS


Não sei porquê
Mas tenho saudades de nós,
das pequenas coisas vividas
num quotidiano que não existe,
das trocas de palavras
em conversas sem falarmos,
do cruzar  de olhares que nunca vemos,
da partilha de ideias que não revelamos.
 
Somos cúmplices do nada
indivíduos sem voz,
será por isso que tenho
tantas saudades de nós?
 SS

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Sufoco

Sufoca-me
a lentidão do tempo
que parece nunca acabar.

Sufoca-me
este silêncio dos corpos
que não se podem encontrar.

Sufoca-me
a imposição de existirmos
sem nos podermos amar.


SS